Fartal, a festa para celebrar o orgulho iguaçuense, está na lista do cancelamento

O que não se pode permitir são decisões de cima para baixo, sem o amplo debate com o principal interessado, o iguaçuense - Foto: Divulgação

Há mais de quatro décadas, o mês de junho é um período tradicional de encontro, em que a comunidade iguaçuense reúne-se em um evento de lazer, cultura, negócios e solidariedade para comemorar o aniversário de Foz do Iguaçu. Junho é o mês de Feira de Artesanato e Alimentos, a Fartal, que chegou à 43ª edição em 2019.

Com poucas palavras e nenhum debate público, a prefeitura, por meio da Fundação Cultural, decretou que neste ano não haverá Fartal, agora por restrições orçamentárias, não mais sanitárias. Nas poucas informações a que se permitiu tornar públicas, a administração justificou o cancelamento da festa por alegada “queda de arrecadação”.

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A gestão de Chico Brasileiro (PSD) não disse quanto foi a redução da arrecadação nem quanto isso afeta o orçamento da cultura, muito menos falou quanto pretende economizar suspendendo a Fartal em 2022. Tampouco detalhou a quantia que será destinada à programação alusiva aos 108 anos da cidade, que terá show com artista nacional no centro da cidade.

A Fartal passou por transformações nos últimos anos, o que é inevitável, sem, no entanto, perder o seu objetivo fundador que é lembrar, ressaltar o orgulho iguaçuense. A festa convoca o morador a celebrar o fato de ser parte dessa comunidade, de viver e construir a cidade de Foz do Iguaçu.

Para entidades sociais, a Fartal é o espaço para divulgar seus serviços, mobilizar voluntários e arrecadar recursos que ajudam a manter projetos comunitários. Para artistas de todas as linguagens, é palco para mostrar o talento e angariar cachês; para artesão, o evento é uma das principais vitrines anuais.

Pequenos comerciantes levam à feira uma infinidade de produtos, do cachorro-quente à maçã do amor, das cocadas a pratos mais sofisticados. Empresas de todos os tamanhos comparecem ao parque de eventos com suas marcas, produtos e serviços.

Com mais de dois anos de pandemia, que afetaram profundamente não apenas a economia como o imaginário e o ânimo das pessoas, a Fartal em 2022 poderia ser o evento da retomada, a repactuação coletiva para celebrar a vida com olhos para o futuro. Do ponto de vista material, poderia ser um fôlego na economia criativa, injetando renda na economia local e gerando ocupações.

A Fartal nasceu há mais de 40 anos não por iniciativa do poder público, mas da comunidade iguaçuense, embora hoje seja inviável realizá-la sem a condução governamental. O evento pode ser ajustado às realidades no tempo presente, tão diferentes dos primeiros anos da feira.

O que não se pode permitir são decisões de cima para baixo, sem o amplo debate com o principal interessado, o iguaçuense, e o cancelamento de eventos por falta de planejamento por parte da gestão, já que a Fundação Cultural alega que, desde o ano passado, tenta criar um outro modelo para a Fartal. Ou, pior ainda, deixar de realizar uma festa popular para evitar comparações com eventos na vizinhança.

É necessário acender a vigilância quanto aos eventos iguaçuenses, os quais devem ser parte das políticas públicas de cultura. A Feira do Livro, ano passado, foi acanhada em termos de público e comercialização de publicações. O Carnaval da Saudade na Marechal Deodoro foi enterrado. A Fartal, a festa iguaçuense, pode ter entrado na lista.

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