Referência em oncologia e maternidade que atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Foz do Iguaçu, o Hospital Itamed trouxe a público que opera em desequilíbrio econômico. O montante necessário para atendimento gratuito fica abaixo do financiamento, alega. A sobrecarga é na média e alta complexidade, principalmente. As contas não fecham.
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Como resultado, comunicou oficialmente que vai interromper os serviços de maternidade e partos em 60 dias se nada for feito. Outros hospitais não conseguem absorver a demanda, adverte o Conselho Municipal de Saúde (Comus), que ainda agrega aos números da matemática que envolve vidas o déficit de leitos na cidade.
Em relação à prefeitura, o próprio conselho elenca uma série de cobranças e diz que as filas de macas nos corredores do Hospital Municipal são rotina. Ainda, pede solução para transferências hospitalares, a fim de reduzir o tempo de remoção das duas UPAs, visando à humanização, termo que descreve um discurso que nem sempre está acompanhado da prática.
A federalização do Municipal ou sua conversão em universitário, promessa da administração anterior, não avança entre prefeitura, Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) e outros entes. Agentes políticos que há pouco tempo eram os portadores da boa-nova desapareceram da cena: não cobram, tampouco reúnem representantes públicos para buscar a solução do impasse.
No lugar de ser polo regional em saúde pública, por sua estrutura e posição, Foz do Iguaçu exporta pacientes para outras cidades do Paraná. O Comus estima que, somente neste ano, o município desembolsará R$ 75 milhões com deslocamentos, buscando suprir serviços que a cidade não oferece a seus moradores.
Deputados estaduais e federais de todos os matizes ideológicos anunciam cheques miúdos, para investimentos paliativos, que caem bem em fotos para as redes sociais e à próxima campanha eleitoral. Mas são ausentes para discutir problemas estruturais na saúde pública.
Essa pauta deveria incluir até que ponto a tabela-SUS responde à realidade para custear os procedimentos à população ou cobrar/responsabilizar os governos que representam, sejam municipais, estaduais ou federais, eficiência na saúde pública. Vereadores parecem carta fora do baralho, absortos em indicações sem qualquer resultado. Enquanto as promessas se renovam no setor, o morador arca com a conta e com a dor.

