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Editorial

Retrato das eleições

Foz do Iguaçu na rota da sucessão eleitoral

Movimentação de pré-candidatos transforma Foz do Iguaçu em palco antecipado da disputa eleitoral, enquanto eleitores ainda demonstram apatia e problemas da fronteira seguem sem soluções estruturais.

3 min de leitura
Foz do Iguaçu na rota da sucessão eleitoral
Corrida eleitoral - Ilustração: IA sob produção de Claudio Siqueira

A agenda de agentes públicos de diferentes matizes tem convergido para Foz do Iguaçu, colocando a cidade fronteiriça na rota da sucessão do governador Ratinho Junior (PSD). O afã é igual entre postulantes aos demais cargos eletivos em disputa.

O calendário impõe ritmo de campanha, mesmo antes de ela ser liberada pelos órgãos de Justiça. A corrida é em busca de viabilidade ou para formar alianças, e para os que tentam deixar marcas antes das desincompatibilizações, quando entregam os cargos e a caneta.

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Ao Palácio Iguaçu, três pretendentes, Alexandre Curi, Guto Silva e Sergio Moro, percorreram a cidade em questão de dias. No mesmo circuito, uma ministra de Lula, Gleisi Hoffmann, demarca espaço de olho em vaga no Senado Federal, peça de uma engrenagem nacional.

Os políticos nativos e postiços também agitam as suas bandeiras e ensaiam o jingle. O H2FOZ contabilizou que podem ser em torno de 20 concorrendo a deputado estadual ou federal, a fim de estrear ou subir de cargo, e mesmo assegurar a continuidade dos mandatos vigentes.

Entre os vereadores iguaçuenses, sete aventam a possibilidade de disputar novas cadeiras, na Assembleia Legislativa ou Câmara Federal. Cada passo é dado no compasso dos movimentos de caciques partidários e tateando a janela que permite trocar de sigla, uma generosidade para a política de conveniência.

Entre os votantes, quem decide, o cenário é de apatia. O portal sistematizou levantamento da Paraná Pesquisas apontando que três a cada quatro (75%) eleitores não sabem em quem votar ou não opinaram sobre seu candidato a governador. Para o Senado, o percentual sobe ainda mais.

As eleições amplas têm valor singular para Foz do Iguaçu, pelas características e problemas de fronteira. Basta mencionar algumas pautas que transitam entre as três esferas de poder, municipal, estadual e federal, ainda que a maior responsabilidade dos problemas de uma cidade seja do prefeito.

Na área social, como saúde e segurança, passando pela infraestrutura e logística, o comércio internacional, a mobilidade e o trânsito fronteiriço são assuntos que, em maior ou menor grau, exigem soluções compartilhadas. Porém, o que mais se vê são medidas verticais vindas dos centros de poder, com pouco ou nenhum diálogo.

Problemas complexos e entraves empurrados a cada renovação de mandato são incompatíveis com modelos de gestão ou de representação popular presos a velhas fórmulas. Nesse rol de escolhas fadadas ao insucesso está o político despachante, aquele que passa quatro anos carimbando demandas sem oferecer melhorias efetivas para a coletividade.

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