85% da comunidade escolar é contra a volta às aulas na pandemia, mostra pesquisa

Levantamento on-line concluído na última sexta-feira, 7, revela que 85,5% da comunidade escolar não quer a volta às aulas durante a pandemia. A pesquisa registrou a opinião de 3.189 pessoas, das quais 66,7% são estudantes do Ensino Médio, mães, pais e responsáveis por alunos.

Também responderam ao questionário professores, pedagogos e diretores. Realizada pela APP-Sindicato/Foz, entidade que representa educadores de nove cidades da região, de Foz do Iguaçu a Ramilândia, a consulta não faz distinção entre estabelecimento de ensino privado e público em relação às respostas.

O objetivo da pesquisa foi aferir a percepção da comunidade escolar quanto ao anúncio do Governo do Estado, ainda não oficializado, de eventual volta às aulas no Paraná. Em Foz do Iguaçu, decreto municipal autoriza aulas presenciais a determinadas turmas de escolas particulares, conforme o Decreto n° 28.379. 

Pesquisa teve a participação de 3.189 pessoas – foto Reprodução

O levantamento sobre a volta às aulas teve como principais respostas:

– 69,3% disseram não haver condições reais para garantir a aplicação e a fiscalização de protocolos sanitários;

– 16,2% responderam ser contra a volta às aulas, mas que dá para planejar, com mais tempo, o retorno seguro;

– 10,1% afirmaram ser possível o retorno das aulas presenciais, podendo ser ajustadas as condições para a segurança; e

– 4,4% dos participantes da pesquisa acreditam que há infraestrutura sanitária e material para as atividades nas escolas. 

“Todas as pesquisas realizadas junto à comunidade indicam reprovação à ideia de se retomar as aulas durante a pandemia”, enfatiza o presidente da APP-Sindicato/Foz, Diego Valdez. “Não há controle da pandemia no Paraná. Não podemos expor educadores, estudantes e seus familiares à covid-19”, frisa. 

“Não podemos expor educadores, estudantes e familiares”, afirma Diego Valdez – foto Assessoria

Para o educador, o esforço coletivo que precisa ser feito neste momento é para a preservação de vidas. “Cidades brasileiras recuaram do propósito de voltar às aulas. Também temos exemplos de outros países que foram obrigados a voltar atrás. Nossa única atenção agora deve ser a preservação da saúde, da vida das pessoas”, conclui Diego. 

Sem materiais e recursos

A pesquisa também aferiu que, para 86% dos entrevistados, as escolas não estão preparadas para a volta às aulas. Para esses entrevistados, não há formação até o momento e informação sobre o uso e a disponibilidade de equipamentos de proteção individual, elevação do número de funcionários para atender à demanda e adequação da infraestrutura. 

Para esses participantes da pesquisa, as escolas não dispõem de recursos financeiros descentralizados e não contam com espaços coletivos adequados para o retorno, como salas de aula, cantinas e banheiros ajustados à realidade da pandemia. Outro problema apontado é o transporte de estudantes. 

Para 14% das pessoas que participaram do levantamento, é possível voltar às aulas mesmo não existindo as condições ideais de segurança sanitária nas escolas.

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