Professores e funcionários das escolas de Foz e região propõem o início imediato da paralisação - Foto: Marcos Labanca/Arquivo

Educadores de Foz e região defendem greve com suspensão do trabalho presencial e remoto

Categoria realiza assembleia estadual nesta quinta-feira, 26. Greve de fome de professores e funcionários continua.

Professores e funcionários das escolas de Foz do Iguaçu e região defenderão o início imediato de greve, durante a assembleia estadual on-line, nesta quinta-feira, 26, a partir das 13h30. Esse posicionamento foi aprovado pelo Conselho Regional da APP-Sindicato/Foz, que representa a categoria em nove cidades.

Desde setembro, os servidores estão em estado de greve, pois não têm sua pauta atendida pelo Governo do Paraná. Educadores fazem greve de fome há uma semana, na frente do Palácio Iguaçu, em Curitiba (PR), bem como mobilizações em cidades-polo para que a administração estadual abra negociação com o sindicato.

Educadores estão na iminência de enfrentar um desemprego histórico. Isso porque o Governo do Paraná abriu somente quatro mil vagas para a contratação de PSSs, os professores temporários (que são cerca de 30 mil ao todo), e o contrato de nove mil merendeiras, secretárias, zeladoras e outros funcionários vencerá no próximo dia 31 de dezembro – cargos esses que poderão ser terceirizados.

A reivindicação da categoria é pela prorrogação do atual contrato de professores e agentes educacionais, a fim de evitar demissões em plena pandemia de covid-19. Se isso ocorrer, o desemprego fragilizará ainda mais esses servidores que hoje ganham salários mais baixos no estado e não contam com outros benefícios.

“Estamos enfrentando um retrocesso poucas vezes visto na educação pública paranaense”, assevera o presidente da APP-Sindicato/Foz, Diego Valdez. “Desemprego em massa, prova excludente para PSS, substituição de funcionários de escolas por empresas terceirizadas, congelamento de salários e das garantias de nossa carreira. Assim o governador trata os educadores”, pontua.

Conforme Diego, o governo não abre diálogo mesmo com a greve de fome de educadores. “Não é só insensibilidade com esses colegas que estão arriscando a própria integridade física. A intransigência mostra que o governador não tem preocupação com a vida dos educadores, pois somos obrigados a atividades presenciais na pandemia e agora tem prova para PSS, uma desnecessária exposição à covid-19”, conclui.

Menos trabalho

Na avaliação da APP-Sindicato/Foz, a redução de trabalho também atingirá professores concursados, já em 2021. “A oferta de aulas será menor com a militarização de escolas, as reduções da oferta do ensino noturno e da educação para jovens e adultos, assim como pela manutenção das aulas a distância”, analisa Diego.

O dirigente sindical afirma que, além do desemprego, a proposta de greve é justificada pelo congelamento do salário dos educadores, das progressões e promoções. Funcionários de escolas também seguem recebendo abaixo do salário mínimo regional, e a pauta pede a equiparação da remuneração desse segmento profissional.

Greve de fome

Na última quarta-feira, 18, depois que o governo não cumpriu a promessa de apresentar proposta para a pauta, educadores ocuparam a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). O espaço foi liberado no dia seguinte, e teve início a greve fome na manhã de quinta-feira, 19, com a adesão de 47 professores e funcionários. A greve de fome continua, no sétimo dia.

Paulo Bogler - H2FOZ

Paulo Bogler é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.

Paulo Bogler - H2FOZ tem 1178 posts e contando. Ver todos os posts de Paulo Bogler - H2FOZ