Família da professora Viviane Jara Benítez cobra respostas: ‘Não só por dor, por Justiça’

Ato público em memória da educadora, que faleceu no Hospital Municipal, acontece neste sábado, 4, às 19h, na Praça da Paz.

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Desde pequenina, Viviane Jara Benítez já tinha definido a sua profissão, inspirada no trabalho da mãe. A professora de 39 anos, porém, vivia um de seus maiores desafios fora da sala de aula, por ser uma das lideranças dos servidores públicos mobilizados contra a reforma da Previdência defendida pela prefeitura.

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Nos dias decisivos da tramitação da matéria, ela precisou fazer uma cirurgia para retirada do útero, devido a miomas que causavam fortes dores. Por coerência, optou pela realização no serviço público. O plano era passar pelo procedimento na quinta-feira e ter alta até sábado, para somar com a categoria de forma on-line.

Programada, a operação foi feita em 16 de fevereiro. Por complicações na condição de saúde, a professora foi submetida a um segundo procedimento, agora de emergência. O pior aconteceu: dez dias após entrar no Hospital Municipal, Viviane faleceu. A família quer respostas sobre o que aconteceu. E Justiça.

Irmã de Viviane, a confeiteira Márcia Jara Benítez concedeu entrevista neste sábado, 4, durante o programa Marco Zero, do H2FOZ e Rádio Clube FM 100.9. Reforçou que a família suspeita de erro do médico – afastado temporariamente – e espera apuração rigorosa do hospital e da autoridade policial; e convidou a comunidade para ato público em memória da servidora.

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De acordo com Márcia, a professora do município vinha recuperando-se ao longo da semana, antes da segunda cirurgia. “Falei com minha filha, que era muito próxima da Vivi, que a gente tinha que fazer uma festa para recebê-la, que era a forma que ela gostava de comemorar com todos”, resgatou.

A morte da professora Viviane completará uma semana neste domingo, 5 – foto: Izabelle Ferrari/Sinprefi

Na entrevista, disse que os familiares desconheciam a segunda operação, obtendo a ciência porque uma tia de Viviane também estava internada no Hospital Municipal. Ela obteve a informação com um profissional, consternado com a situação, e conseguiu retransmitir esse fato novo.

A tia, segundo Márcia, testemunhou o que seria o flagício da própria familiar. “Se deparou com Viviane gritando, pedindo socorro, dizendo que o corpo queimava e sentia muita dor. Que estava morrendo. Levou um choque de ouvir alguém gritando assim, depois entendeu ser a sua sobrinha”, contou.

Perguntas sem respostas

No Marco Zero, Márcia Jara Benítez afirmou que a família não obteve nenhuma informação oficial do Hospital Municipal sobre o que aconteceu com Viviane, apenas uma mensagem chegou, provavelmente da direção da unidade, disse. Ela expôs que faltou humanidade no atendimento, da recepção ao profissional médico.

Uma artéria de Viviane teria sido cortada, o que teria ocasionado hemorragia. “Nossa tia contou coisas que nos deixaram aterrorizados de pensar que um familiar passou por horas de agonia. O que notamos é que não teve muito amparo e sensibilidade da própria pessoa que fez a cirurgia. Os detalhes são chocantes”, falou.

Segundo ela, inúmeras pessoas entraram em contato para relatar possíveis erros, atendimento inadequado e até sequelas que seriam resultado de intervenções do mesmo médico. “Você se depara com isso e pergunta se o que aconteceu com a Viviane poderia ter sido evitado”, salientou Márcia.

“Desde quando isso vem acontecendo? A saúde de Foz do Iguaçu está à mercê de pessoas que não estão tendo a responsabilidade de olhar – olhar humano mesmo – as pessoas que precisam da rede pública.” A irmã de Viviane se mostra revoltada, ainda, pelo fato de ter recebido a informação de que o profissional estava afastado da função antes do falecimento da servidora, o que não ocorreu.

Ato público

Nos microfones da Clube, Márcia Jara Benítez convidou a comunidade a participar do ato público em memória de Viviane, neste sábado, 4, a partir das 19h, na Praça da Paz, no centro. Explicou que a mobilização é por todas as pessoas que relatam ter sofrido algum problema ao buscar atendimento na saúde pública.

“O que ela sofreu foi uma violência. Então, que a gente seja a voz dela. Não só pela Viviane, mas por todas as pessoas que estão pedindo socorro”, enfatizou. “A gente vai prosseguir e não vai deixar sem resposta. Não só por dor, mas por Justiça”, asseverou.

“Esse ato é um grito pela saúde de Foz do Iguaçu, não só pela Vivi, mas todos”, reforçou. “O que a minha irmã sofreu foi bárbaro. Não queria que ninguém mais passasse por isso”, concluiu Márcia.

O que diz o hospital

Durante a semana que passou, a Fundação Municipal de Saúde afastou o médico e a equipe envolvidos no atendimento a Viviane Jara Benítez. Uma sindicância foi aberta para apuração.

O diretor-presidente da Fundação Municipal de Saúde, André Di Buriasco, informou que a comissão administrativa é formada por profissionais da área médica, de enfermagem e administrativa.

A comissão ouvirá todas as pessoas envolvidas no atendimento, além de levantar a documentação e identificar medicamentos prescritos, entre outras informações.

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