Com piso salarial e matriz curricular na pauta, o Sindicato dos Professores e Profissionais da Educação da Rede Pública Municipal de Foz do Iguaçu (Sinprefi) antecipou para esta quarta-feira, 28, às 18h, a Assembleia Geral da categoria, inicialmente marcada para fevereiro. A plenária será realizada na Escola Municipal Santa Rita de Cássia, na Vila Pérola.
Os educadores estão em estado de greve desde o ano passado. Uma das deliberações da assembleia será a alteração da matriz curricular da rede municipal de ensino, instituída pelo município no encerramento de 2025, à qual os profissionais da educação são contrários. Também será abordada a chamada “Lei do Descongelamento”, que autoriza o pagamento de direitos represados desde a pandemia de covid-19.
Outro item de destaque na pauta é a cobrança do Piso Nacional do Magistério, valor mínimo que os entes públicos podem pagar como remuneração a professores. O Sinprefi questiona o fato de a prefeitura não incorporar corretamente o valor definido pelo Ministério da Educação ao salário-base, adotando reajustes por meio de “completivo”, mecanismo que gera prejuízos à carreira.
Em janeiro deste ano, o governo federal aplicou reajuste de 5,4%, elevando o piso para R$ 5.130 para jornada de 40 horas semanais, com vigência a partir de janeiro de 2026.
A assembleia foi marcada no fim do ano passado, em decorrência do impasse nas negociações entre a categoria e a administração municipal. “Vamos antecipá-la para que já tenhamos um posicionamento dos profissionais antes do dia 2 de fevereiro, quando retornam às escolas para os trabalhos internos, ainda sem alunos”, explica a presidente do Sinprefi, Viviane Dotto.
Disciplinas no currículo
A proposta inicial de alteração da matriz curricular do ensino fundamental previa a redução de aulas de Português, Geografia e Ciências para a inclusão de Inglês e Robótica. A reação negativa dos professores levou à decretação do estado de greve. O tema foi encaminhado ao Conselho Municipal de Educação em regime de urgência, mas acabou não sendo votado.
Entre as principais preocupações da categoria está a falta de profissionais habilitados para atender às novas disciplinas. Com o retorno das atividades letivas previsto para 11 de fevereiro, o assunto deverá seguir os trâmites regulares.
Passo a passo das negociações
- 05/12/2025: prefeitura encaminha proposta de mudança na matriz curricular ao Conselho Municipal de Educação;
- 10/12/2025: categoria protesta em frente à prefeitura; prefeito Joaquim Silva e Luna (PL) e secretários recebem comissão e prometem suspensão da implantação da Normativa de Distribuição de Turmas;
- 10/12/2025: Sinprefi participa de reunião do Conselho Municipal de Educação; tema não é analisado em regime de urgência, respeitando o regimento interno;
- 11/12/2025: suspensa a implantação das alterações na matriz curricular;
- 12/12/2025: em assembleia, categoria vota contra as mudanças na matriz curricular e aprova estado de greve;
- 15/12/2025: sindicato protocola contraproposta para a Normativa de Distribuição de Turmas, mas as negociações não avançam;
- 17/12/2025: novo protesto em frente à prefeitura; educadores reafirmam a contrariedade à proposta de mudança curricular, aprovam a manutenção do estado de greve e marcam assembleia para 2 de fevereiro;
- 22/12/2025: prefeitura publica portaria com nova matriz curricular, mesmo sem aprovação do Conselho Municipal de Educação e dos profissionais da área;
- 21/01/2026: governo federal fixa o reajuste do Piso Nacional do magistério em 5,4%;
- 09/01/2026: Sinprefi requer reunião com o prefeito Silva e Luna para retomada de pautas;
- 23/01/2026: sindicato antecipa assembleia para 28 de janeiro, antes do início do ano letivo.
(Com informações da assessoria)


