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Paraná entra no radar do turismo global, aponta Paranhos

Paraná ultrapassa 1 milhão de turistas estrangeiros e cresce acima da média nacional; Paranhos detalha metas e desafios para 2026.

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Paraná entra no radar do turismo global, aponta Paranhos

Desde que assumiu a Secretaria de Turismo do Paraná em março de 2025, o ex-prefeito de Cascavel, Leonaldo Paranhos, ampliou a dinâmica da pasta e em 11 meses colhe resultados e desempenho histórico, consolidando o setor como um dos principais motores da economia estadual. O turismo no Paraná acumulou uma alta de 5,5% no volume de atividades em 2025, acima da média nacional (4,6%) e as receitas das empresas ligadas à  atividade aumentaram 10,8% em comparação a 2024.

“O planejamento para 2026 prioriza a manutenção desse ritmo, com foco na qualificação dos serviços e na descentralização dos destinos. Para isso, a Secretaria opera em três frentes: investimentos em infraestrutura regional, promoção estratégica em mercados-chave e o fortalecimento da Política de Regionalização através dos 18 Territórios Turísticos”, destacou Paranhos nesta entrevista exclusiva ao H2FOZ.

O Paranhos ainda desdobra os números. O estado registrou um recorde histórico, ultrapassando a marca de 1 milhão de turistas estrangeiros em 2025. No turismo interno destaca o exemplo do Verão Maior Paraná que teve uma injeção de R$ 110 milhões na economia das sete cidades do litoral. “Ultrapassar um milhão de visitantes internacionais é um marco histórico. Isso mostra que o Paraná entrou definitivamente no radar global. Para crescer em 2026, precisamos ampliar conectividade aérea, fortalecer acordos com operadoras internacionais e, principalmente, integrar os destinos”, afirmou.

De janeiro a novembro de 2025, o setor criou 7,8 mil empregos, além dos temporários, intermitentes e sazonais.”O maior desafio de 2026 é fazer as duas coisas ao mesmo tempo: qualificar a mão de obra e manter um crescimento consistente, porque o salto que o Paraná está vivendo exige que a qualificação acompanhe o ritmo da demanda”, adianta Paranhos.

“O volume total de investimentos estaduais em infraestrutura e fomento ao turismo ultrapassa a casa de centenas de milhões de reais, contemplando todas as regiões do estado, com mais de uma centena de municípios atendidos entre obras estruturantes, convênios, eventos e programas de qualificação. a lógica não é concentrar, mas distribuir desenvolvimento”, completa.

Leia a seguir a íntegra da entrevista.

Paraná registrou um recorde histórico, ultrapassando a marca de 1 milhão de turistas estrangeiros em 2025. – Foto: AEN

O turismo do Paraná cresceu 5,5% em 2025, superando a média nacional de 4,6%. Qual a expectativa para 2026 e o que a Setur planeja para este ano?

O desempenho do Paraná, superando os índices nacionais, valida a atual gestão do turismo. O planejamento para 2026 prioriza a manutenção desse ritmo, com foco na qualificação dos serviços e na descentralização dos destinos.

Para isso, a Secretaria opera em três frentes: investimentos em infraestrutura regional, promoção estratégica em mercados-chave e o fortalecimento da Política de Regionalização através dos 18 Territórios Turísticos. Nosso compromisso é transformar o potencial do estado em um crescimento sustentável e distribuído de forma equilibrada.

O Paraná bateu o recorde histórico com mais de 1 milhão de turistas estrangeiros em 2025. Como Curitiba e Foz do Iguaçu podem ampliar esses números em 2026?

Ultrapassar 1 milhão de visitantes internacionais é um marco histórico para o Estado. Isso mostra que o Paraná entrou definitivamente no radar global. Para crescer em 2026, precisamos ampliar conectividade aérea, fortalecer acordos com operadoras internacionais e, principalmente, integrar os destinos. O turista que chega por Foz do Iguaçu ou Curitiba precisa circular pelo Estado. Quando ampliamos roteiro e permanência, ampliamos o impacto econômico.

São R$ 253 milhões para 19 cidades do Oeste. O que o cidadão da região vai ver de concreto na ponta?
As regiões vão receber investimentos em revitalização de orlas, estruturas náuticas, sinalização turística, centros de eventos e melhorias urbanas voltadas ao turismo. Esses investimentos vão representar obras executadas e vai gerar um impacto econômico direto como geração de empregos e ainda movimentar o comércio local.

Quanto foi investido no total em todo o Paraná e quantas cidades foram atendidas?

O volume total de investimentos estaduais em infraestrutura e fomento ao turismo ultrapassa a casa de centenas de milhões de reais, contemplando todas as regiões do estado, com mais de uma centena de municípios atendidos entre obras estruturantes, convênios, eventos e programas de qualificação. a lógica não é concentrar, mas distribuir desenvolvimento.

A marca da gestão é “18 Territórios, Um Só Destino”. Na prática, como isso ajuda os pequenos municípios do interior?
A política dos 18 Territórios organiza o Paraná por vocações regionais. Isso permite que pequenos municípios não precisem competir isoladamente, mas integrem roteiros maiores. Um município pequeno pode estar dentro de uma rota de natureza, fé, gastronomia e turismo rural, aumentando o fluxo e a visibilidade. A regionalização fortalece identidade, pertencimento e cooperação.

A política dos 18 Territórios organiza o Paraná por vocações regionais. Isso permite que pequenos municípios não precisem competir isoladamente, mas integrem roteiros maiores

Turismo se faz com estradas e aeroportos. Qual a importância da terceira pista do Afonso Pena e melhorias em outros terminais?

A ampliação do Aeroporto Internacional Afonso Pena é estratégica para ampliar voos internacionais e consolidar o Paraná como hub do Sul do Brasil. Além disso, os avanços em Foz do Iguaçu, Cascavel, Londrina, Maringá e Ponta Grossa fortalecem a aviação regional e descentralizam o fluxo turístico. Sem conectividade, não há expansão sustentável.Infraestrutura é condição básica para competitividade.

Avanços em Foz do Iguaçu, Cascavel, Londrina, Maringá e Ponta Grossa fortalecem a aviação regional e descentralizam o fluxo turístico – Foto: AEN

O Paraná apoiou mais de 800 eventos em 2025. O Estado virou um grande palco do turismo de negócios e cultura?

Sem dúvidas. O calendário permanente de eventos é um dos pilares da nossa estratégia.Festivais culturais, feiras, eventos esportivos, religiosos e corporativos movimentam a economia ao longo de todo o ano e reduzem a sazonalidade. O turismo de eventos é uma ferramenta importante para manter a ocupação hoteleira, geração de renda e circulação econômica fora da alta temporada.

O calendário permanente de eventos é um dos pilares da nossa estratégia. Festivais culturais, feiras, eventos esportivos, religiosos e corporativos movimentam a economia ao longo de todo o ano e reduzem a sazonalidade

O Verão Maior 25/26 bateu recorde. O litoral já está entre os principais destinos do Sul?

O Verão Maior 25/26 teve, sim, um desempenho muito forte e os dados mostram que o nosso Litoral está cada vez mais consolidado como destino. A pesquisa aplicada pela Setur entre 30 de dezembro e 1º de fevereiro, com 4.475 entrevistas no Litoral, revela um padrão típico de destino principal: estadias mais longas 47,1% permanecendo de cinco a dez noites, e alta recorrência, com apenas 10,4% de turistas em primeira visita. Isso indica que o visitante volta, recomenda e planeja ficar mais tempo.

Além disso, a avaliação positiva de serviços como segurança pública, somada à estratégia de orientação, acolhimento e serviços durante a temporada, reforça a imagem do Paraná como um destino organizado, acessível e acolhedor. Então, mais do que falar em colocação, os números mostram um Litoral que está no radar do turismo do Sul e ampliando protagonismo, com base em experiência de qualidade e melhoria contínua.

Quais ações podem aquecer o turismo de inverno no litoral?

O caminho passa por um calendário gastronômico forte, com festivais e rotas de sabores fora da temporada; pelo turismo de natureza e experiência, aproveitando trilhas, parques, observação de aves e a própria Serra do Mar; e por eventos culturais e esportivos distribuídos ao longo do inverno, para gerar motivo de viagem.

Também é decisivo integrar melhor o Litoral com Curitiba e a Serra do Mar, com roteiros combinados de fim de semana, cidade, trem, natureza, gastronomia e praia , além de qualificar a comunicação para mostrar que o litoral tem atrativos o ano inteiro.

O desafio é exatamente esse: transformar o Litoral em um destino de quatro estações, com produtos, serviços e programação contínuos.

A Rota do Peabiru avança com consultas indígenas e georreferenciamento. É o turismo resgatando a história?

É, sim, o turismo ajudando a resgatar e dar visibilidade à história, mas da forma correta: com consulta e escuta dos povos indígenas e com georreferenciamento, que dá precisão e segurança ao trabalho. A Rota do Peabiru é um patrimônio da memória e do território, e o turismo pode transformar isso em conhecimento, educação e experiência, gerando desenvolvimento local desde que seja feito com respeito cultural, preservação e participação das comunidades.

Quando a gente organiza a rota com base técnica e diálogo, o que era apenas uma referência histórica passa a ser um produto turístico estruturado, capaz de fortalecer identidade regional e criar oportunidades para os municípios, guias e empreendedores.

O turismo religioso avança no norte e noroeste. Esse é o caminho?

É um caminho importante, sim, especialmente no Norte e Noroeste, onde a tradição religiosa já mobiliza comunidades e visitantes. O turismo religioso tem um diferencial: ele gera fluxo com calendário, fortalece identidade e costuma movimentar a economia local com hospedagem, alimentação, comércio e serviços.

Mas a nossa visão é de portfólio: o religioso avança junto com outros produtos da região, como gastronomia, natureza, rios e eventos. Quando a gente integra essas experiências, o visitante fica mais tempo, conhece mais municípios e o turismo vira desenvolvimento regional de forma sustentável.

Os Campos Gerais, o Norte Pioneiro, o Sudoeste e o Centro-Sul vêm ganhando tração com turismo rural, natureza, aventura e gastronomia. A nossa estratégia é consolidar esses polos regionais e reduzir a concentração histórica em poucos destinos, distribuindo a geração de renda e oportunidades por todo o Paraná

Como estão os outros destinos além de Foz, Curitiba e Litoral?

Os Campos Gerais, o Norte Pioneiro, o Sudoeste e o Centro-Sul vêm ganhando tração com turismo rural, natureza, aventura e gastronomia. A nossa estratégia é consolidar esses polos regionais e reduzir a concentração histórica em poucos destinos, distribuindo a geração de renda e oportunidades por todo o Paraná.

Para viabilizar esse salto no interior, estamos estruturando a base: melhorias de infraestrutura e de acessos e, especialmente, conectividade. Firmamos parceria com a iniciativa privada para destinar R$22 milhões à ampliação da cobertura de internet móvel em áreas rurais até 2026. Isso é decisivo para que o turismo de natureza e do campo entregue segurança, informação e a conectividade que o visitante de hoje espera.

Esse movimento de descentralização já se traduz em agendas concretas. O Norte Pioneiro, por exemplo, vai sediar em 2026 o Fórum de Turismo Religioso, em Bandeirantes, fortalecendo um roteiro que já conta com cerca de 40 atrativos mapeados pela Secretaria na região. Em paralelo, avançamos com investimentos estaduais em infraestrutura urbana e ambiental, como os R$ 79 milhões para criação e recuperação de Parques Urbanos em dezenas de cidades até 2026. O objetivo é claro: preparar os quatro cantos do Estado para receber bem com qualidade, experiência e competitividade.

Paranhos: o objetivo é claro: preparar os quatro cantos do Estado para receber bem com qualidade, experiência e competitividade. – Foto: AEN

Sim. A Secretaria trabalha para tornar o turismo mais acessível e inclusivo, unindo programas sociais, qualificação e melhoria do atendimento. O Paraná Mais Viagem é um exemplo concreto: em 2025, levou mais de 13,4 mil paranaenses para conhecer gratuitamente atrativos do Estado, o que ajuda a democratizar o acesso ao turismo e também a movimentar a economia local de forma mais distribuída.

Além disso, ações como o Viaja + 60 e a capacitação da linha de frente em turismo acessível, incluindo audiodescrição e atendimento a pessoas com deficiência e mobilidade reduzida,  reforçam uma diretriz de política pública: turismo como experiência, acolhimento e desenvolvimento, com o Paraná preparado para receber bem todas as pessoas.

A Secretaria trabalha para tornar o turismo mais acessível e inclusivo, unindo programas sociais, qualificação e melhoria do atendimento. O Paraná Mais Viagem é um exemplo concreto: em 2025, levou mais de 13,4 mil paranaenses para conhecer gratuitamente atrativos do Estado

O tax free pode ser implantado no Paraná?

O tax free é uma medida que pode aumentar a competitividade do destino, mas depende de regulamentação e modelagem em nível federal. O Paraná acompanha esse debate de perto porque é uma estratégia que estimula o consumo do turista estrangeiro e fortalece o comércio local.

Como gestão, a gente já trabalha em paralelo: o Viaje Paraná tem discutido a viabilidade de estudos sobre o tax free em Curitiba, para que, quando o modelo estiver regulamentado e operacionalmente viável no país, o Estado esteja pronto para apoiar a implementação e aproveitar essa oportunidade.

Isso faz ainda mais sentido no momento em que o Paraná intensifica a promoção internacional, inclusive com presença em feiras como a Fitur, na Espanha. Se o Brasil avançar com esse instrumento, ele pode ajudar a aumentar o gasto do visitante e deixar mais resultados para a economia do Estado.

Fechamos 2025 com recorde de entrada de turistas estrangeiros no Paraná, e em 2026 intensificamos a promoção internacional, com ações como a Fitur. Se o Brasil avançar com o tax free, o Paraná quer estar pronto para transformar esse fluxo em ainda mais resultados para o comércio e para a economia.

O Paraná aposta em turismo de qualidade: organizado, sustentável e com planejamento. Crescer é bom ,e queremos crescer, mas não de forma desordenada

Turismo de qualidade versus turismo de massa: qual sua avaliação?

O Paraná aposta em turismo de qualidade: organizado, sustentável e com planejamento. Crescer é bom ,e queremos crescer, mas não de forma desordenada. O crescimento precisa respeitar a capacidade dos destinos, o meio ambiente e as comunidades locais, e vir acompanhado de investimento em infraestrutura e serviços.

Um exemplo prático dessa visão é o investimento de R$253 milhões em infraestrutura turística para 19 cidades do Oeste, com ações como revitalização de espaços públicos, qualificação de áreas de convivência e melhorias de mobilidade. Isso prepara os destinos para receber mais visitantes com qualidade, e ao mesmo tempo melhora a vida de quem mora ali.

E qualidade também significa distribuir melhor o fluxo. Por isso, a consolidação dos 18 territórios turísticos é estratégica: ajuda a descentralizar a demanda, fortalecer governanças regionais e criar oportunidades no interior, evitando sobrecarga em poucos lugares. O nosso objetivo é um turismo que gere resultado econômico, mas com responsabilidade e equilíbrio.

Qual é o maior desafio para 2026: qualificar mão de obra ou manter o ritmo de crescimento?

O maior desafio de 2026 é fazer as duas coisas ao mesmo tempo: qualificar a mão de obra e manter um crescimento consistente, porque o salto que o Paraná está vivendo exige que a qualificação acompanhe o ritmo da demanda.

O governador Ratinho Júnior acertou ao colocar o turismo como prioridade, e isso já aparece na ponta. Pelos dados do Caged, em fevereiro tivemos alta de 6% nas carteiras assinadas em atividades turísticas, com 1.680 novos empregos formais no Estado. Isso reforça a nossa convicção de que mão de obra qualificada é a base do crescimento, porque é ela que garante acolhimento e atendimento de excelência.

Ao mesmo tempo, manter o ritmo passa por crescer com mercado mais organizado e mais formal. Estamos unindo promoção e estruturação do setor: tivemos recordes de demanda internacional , como os 426 mil turistas estrangeiros no primeiro trimestre, e avançamos na formalização, com aumento de 27,5% no número de empresas e serviços registrados no Cadastur. Esse equilíbrio entre demanda e qualificação é o que sustenta o turismo no longo prazo e melhora a experiência de quem visita o Paraná.

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    Zé Beto Maciel

    Zé Beto Maciel é jornalista e colabora para o H2FOZ.

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