Vontade para Schopenhauer

Professor Caverna fala sobre Arthur Schopenhauer, filósofo alemão do século XIX

Por Professor Caverna – OPINIÃO

Arthur Schopenhauer, filósofo alemão do século XIX, é conhecido por sua abordagem única e profunda sobre a natureza humana e a existência. Um dos conceitos centrais em sua filosofia é o da vontade, que ele considerava a essência subjacente de todo o universo. Neste texto, exploraremos o conceito de vontade segundo Schopenhauer, suas implicações e como ele difere de outras concepções de vontade.


Para Schopenhauer, a vontade é a força motriz fundamental por trás de todas as ações, desejos e impulsos humanos. Ele acreditava que a vontade não é apenas uma característica humana, mas permeia todo o universo, animando todas as coisas. Essa ideia está em contraste com a visão tradicional de que a razão ou a mente são as faculdades dominantes na tomada de decisões e na orientação da vida humana.


Uma das principais influências de Schopenhauer foi o pensamento oriental, especialmente o hinduísmo e o budismo. Ele viu paralelos entre sua concepção de vontade e a noção de “desejo” no pensamento indiano, especialmente a ideia de que o desejo é a fonte do sofrimento humano. Para Schopenhauer, a vontade é uma força cega e insaciável, que nos impulsiona a buscar a satisfação de nossos desejos, mas que nunca pode ser plenamente satisfeita.


Schopenhauer argumentava que a vontade se manifesta de várias maneiras em nossas vidas, muitas vezes de forma contraditória e irracional. Por exemplo, podemos desejar algo intensamente, apenas para descobrir que, uma vez que o obtenhamos, não nos traz a felicidade esperada. Isso ocorre porque a vontade é uma força cega, que não é guiada pela razão ou pela compreensão clara de nossos verdadeiros interesses.
Uma das implicações mais profundas da filosofia de Schopenhauer é sua visão pessimista da existência humana. Ele argumentava que a vida é essencialmente cheia de sofrimento, porque a vontade está sempre insatisfeita e em constante busca por algo mais. Mesmo quando conseguimos satisfazer nossos desejos, isso é apenas temporário, e logo surgem novos desejos para ocupar seu lugar.


No entanto, Schopenhauer também ofereceu uma visão de como podemos transcender esse sofrimento. Ele argumentava que a única maneira de escapar do poder da vontade é através da contemplação estética e da negação da vontade. Na experiência estética, como na apreciação da arte ou da música, podemos temporariamente suspender o desejo e experimentar um estado de transe semelhante ao nirvana budista.


Além disso, Schopenhauer via a compaixão como uma resposta ética à natureza trágica da existência. Ao reconhecer o sofrimento dos outros como nosso próprio, podemos transcender o egoísmo da vontade e alcançar uma conexão mais profunda com a humanidade como um todo. Isso não apenas alivia nosso próprio sofrimento, mas também nos permite agir de maneira mais ética em relação aos outros.


Em contraste com outras concepções de vontade, como a de Kant, que a via como a capacidade de agir de acordo com princípios racionais, Schopenhauer via a vontade como uma força mais primordial e irracional. Enquanto Kant via a razão como capaz de controlar e direcionar a vontade, Schopenhauer argumentava que a razão era impotente diante da força da vontade.


Em resumo, o conceito de vontade segundo Schopenhauer é central em sua filosofia, representando uma força fundamental e irracional que impulsiona todas as coisas no universo. Para Schopenhauer, a vontade é a fonte do sofrimento humano, mas também oferece a possibilidade de transcendência através da contemplação estética e da compaixão pelos outros.

Embora sua visão possa ser vista como pessimista, ela também contém elementos de esperança e redenção, sugerindo que, ao compreender a natureza da vontade, podemos encontrar um caminho para uma vida mais significativa e ética.

Caverna é professor de Filosofia, criador de conteúdo digital e coordenador do projeto “Café Filosófico” em Foz do Iguaçu.

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Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do H2FOZ.

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4 Comentários
  1. Gio Diz

    Sensacional 👏👏👏👏👏👏👏

  2. Marcos Mathias Diz

    Parabéns ótima matéria

  3. Paulo Diz

    Também concordo com a teoria de Schopenhauer acerca da vontade, considero-a mais coerente com a realidade em comparação a de Kant.

  4. João Diz

    Li o seu excelente texto via Google, Realmente o Schopenhauer tinha a visão emotiva da vontade que nunca é suficiente e sempre há a busca do novo e de novo… que parece não ter fim. Nos leva a outro estudioso Bauman que afirma no ensaio a Modernidade Líquida este modo de vida na vontade efêmera sobre tudo que permeia no campo relacionamento afetivo, aos objetos tecnológicos ao supérfluo.

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