Rio Paraná volta a impedir navegação. Paraguai pede que Itaipu abra o vertedouro

H2FOZ – Cláudio Dalla Benetta

O vice-ministro de Relações Econômicas e Integração do Ministério de Relações Exteriores, Didier Olmedo, contou ao ABC Color que, na quinta-feira da semana passada (dia 23), foi pedido à chancelaria do Brasil para que Itaipu verta água de seu reservatório, como foi feito em maio deste ano.

Mais uma vez, a seca dos rios Paraná e Paraguai está dificultando a navegação das barcaças paraguaias que levam principalmente soja para os portos na Argentina e Uruguai.

Segundo Olmedo, a intenção é que, ao longo da primeira quinzena de agosto, Itaipu garanta 8 mil metros cúbicos de água por segundo (m³/s) nos dias de semana e 7 mil m³/s nos finais de semana, para permitir água suficiente para a navegação entre os dias 13 e 14 de agosto.

O vice-ministro disse que ainda não há uma resposta do Brasil, e que o assunto está sendo analisado pelo Ministério de Minas e Energia, Agência Nacional de Águas e Operador Nacional do Sistema elétrico brasileiro.

No dia 18 de maio, Itaipu abriu as comportas do vertedouro, o que recuperou a navegabilidade do Rio Paraná. Desde aquela data, segundo o ABC Color, mais de 150 barcaças puderam navegar, garantindo a volta ao trabalho de aproximadamente 500 pessoas, encarregadas do embarque e da navegação.

Em maio, com as águas de Itaipu, as eclusas de Yacyretaá já permitiram a passagem de barcaças carregadas. Foto EBY Paraguai

Níveis dos rios

O Rio Paraná, às 7h desta terça-feira (28), estava na cota 95,23 metros, na Ponte da Amizade. Para os próximos dias, é esperada uma variação entre a mínima de 95,19 e a máxima cota de 97,70, segundo o boletim hidrológico divulgado pela Itaipu Binacional.

Embora estas cotas sejam baixas, em relação a períodos normais, a situação estava bem pior em abril, quando Paraguai e Argentina pediram, em conjunto, para que o Brasil autorizasse Itaipu a liberar água, para que as barcaças pudessem navegar.

No dia 10 de abril, o boletim hidrológico indicava a cota de 92,76 metros acima do mar, na Ponte da Amizade. Dias antes, tinha variado entre 95,35 e 96,90 metros.

Na Argentina

O problema é mais grave porque um grande afluente do Paranazão, o Rio Iguaçu, está com tendência de queda na vazão. Nesta terça-feira, por exemplo, a vazão está em 596 metros cúbicos por segundo nas Cataratas, um volume razoável, mas bem inferior à média normal, que varia entre 1.400 m³/s e 1.600 m³/s.

Choveu, ao longo de 2020, muito pouco nas cabeceiras do Rio Iguaçu, na Serra do Mar e em Curitiba, onde o Iguaçu tem afluentes importantes. A expectativa, ao longo do inverno, é de que continue a chover pouco, tanto na bacia do Rio Iguaçu como na do Paraná.

Na verdade, a previsão elaborada pelos serviços CPTEC, Inmet e Funceme, para o período de julho a setembro, indica maior probabilidade de precipitações normais na bacia do Rio Paraná, mas excetuando novamente as bacias superiores, para as quais se preveem precipitações abaixo do normal.

Na bacia do Rio Paraná na Argentina, também se preveem chuvas escassas ao longo dos próximos dias, o que já muda novamente o panorama em algumas regiões, como no município argentino de Ituzaingó, onde o nível do rio devm ficar entre 0,40 e 0,60 metro, quando na semana passada variou entre 0,50 e 1,40 metro, segundo matéria publicada no portal El Territorio, de Posadas.

No porto paraguaio de Ayolas, a situação se repete. Na semana passada, o nível do rio oscilou entre 0,60 e 1,40, e nesta semana está em 0,60, devendo chegar ao máximo de 0,70, conforme informações repassadas ao El Territorio pela binacional Yacyretá.

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