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Mulheres estudam mais, porém comandam menos: desigualdade foi debatida em Foz

Mulheres também recebem salários inferiores ao dos homens; assunto foi tema de um dos painéis do Congresso Nacional de Magistratura

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Mulheres estudam mais, porém comandam menos: desigualdade foi debatida em Foz
Assunto foi debatido no IV Congresso Nacional e II Internacional da Magistratura do Trabalho.

Embora sejam em média mais qualificadas do ponto de vista educacional do que os homens, as mulheres ocupam menos cargos de liderança, recebem menor remuneração e enfrentam mais barreiras para avançar na carreira.

Essa desigualdade de gênero nas relações do trabalho foi debatida no IV Congresso Nacional e II Internacional da Magistratura do Trabalho, do dia 27 a 29 em Foz do Iguaçu, no Bourbon Thermas Eco Cataratas.

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Uma das palestrantes do evento, a juíza Taciela Cylleno, do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) do Rio de Janeiro, afirma que as mulheres ainda despendem quase o dobro de tempo para fazer tarefas domésticas, mesmo sendo economicamente ativas.

“Dentro de casa, toda atividade doméstica cabe à mulher. As mulheres muitas vezes são preteridas em relação aos homens nas promoções salariais porque não são chefes de família, o que não é verdade. As mulheres já são responsáveis por 51% dos lares brasileiros”, ressalta. 

Para a juíza, é preciso avançar quando se trata de igualdade de gênero. “Nós abrimos o mercado de trabalho para as mulheres, mas é preciso abrir as portas de casas para os homens.”

Taciela ainda coloca que, enquanto mulheres de alta renda têm condições de contratar pessoas para ajudá-las nas tarefas domésticas e com isso promover a própria carreira, mulheres de baixa renda e negras não conseguem. 

Outro problema relativo à questão de gênero é o estigma da parentalidade. No trabalho, a paternidade é vista como bônus para os homens, algo merecedor, mas no caso da mulher essa condição é encarada como ausência, porque ela precisa deixar a atividade para criar os filhos.

A juíza também menciona outra questão negativa que pesa sobre as mulheres. Segundo ela, uma mulher quando é firme é vista como agressiva.

Igualdade não pode ser conceito abstrato

Desembargadora do TRT do Mato Grosso, Adenir Carruesco diz que a igualdade não pode ser um conceito abstrato. As ações afirmativas, salienta, não são favores, constituem-se uma imposição constitucional derivada da interpretação do princípio da igualdade.

Adenir revelou estatísticas preocupantes envolvendo a realidade das mulheres. Nas comunidades de menor renda, em 80% dos casos de autismo grave com os filhos, os maridos abandonam as esposas, relata.

Para ela, o grau de emancipação feminino é o termômetro para medir a emancipação de toda a sociedade.

A desembargadora ainda comentou outros dados preocupantes. Apenas 10% do nome de ruas no Brasil é de mulheres, cuja condição é muito pior quando se trata de mulheres negras.

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    Denise Paro

    Denise Paro é jornalista pela UEL e doutoranda em Integração Contemporânea na América Latina. Atua há mais de duas décadas nas Três Fronteiras e tem experiência em reportagens especias. E-mail: deniseparo@h2foz.com.br