Transporte coletivo em Foz demite 300 trabalhadores na pandemia, diz sindicato

H2FOZ – Paulo Bogler 

Cerca de 300 profissionais foram demitidos pelas empresas de ônibus em Foz do Iguaçu, desde março, durante a pandemia de covid-19, aponta o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários (Sitrofi). A informação é do presidente da entidade, Rodrigo Andrade de Souza.

Os cobradores foram os mais atingidos, segundo o Sitrofi, com a rescisão de 180 contratos, do total de 200 trabalhadores. “Hoje restam apenas 20 cobradores, praticamente em uma única empresa”, disse Rodrigo, afirmando que o sindicato vai requer na Justiça a recontratação desses profissionais. 

“O sindicato está entrando com ação coletiva para que sejam recontratados todos os trabalhadores e que sejam revistas todas as rescisões dos mesmos”, relatou o dirigente sindical. Essa deliberação foi aprovada em assembleia da categoria, realizada no último dia 10 de agosto. 

A assessoria de comunicação das empresas que operam o transporte coletivo alegou ao H2FOZ que dados relacionados ao pessoal não são tornados públicos. “O Consórcio Sorriso não divulga informações administrativas, financeiras e relativas a demissões ou contratações de funcionários.”

Retomada da frota 

Em vigor nessa quarta-feira, 12, o Decreto Municipal nº 28.404, que determina a volta da “tabela normal” dos ônibus, com a integralidade da frota, não estava sendo cumprido pelas empresas até o final da tarde de ontem (13). A informação foi obtida pela reportagem com a direção do Instituto de Transportes e Trânsito (Foztrans). 

De acordo com a autarquia municipal, dos 155 ônibus da frota, 45 estão em circulação, acrescidos de 13 veículos nos períodos de maior movimento, os chamados horário de pico. A tabela segue o “horário de domingo”. Os veículos devem circular com até 50% da quantidade, o que representa cerca de 15 pessoas em pé, além dos passageiros sentados. 

O diretor de Transportes da autarquia, Gilberto Neves, afirmou que está em tratativas com representantes do Consórcio Sorriso, e que as empresas foram notificadas a operar conforme a normativa do município. “Estamos em contato com o gestor do consórcio e aguardando uma posição”, frisou. 

A assessoria do consórcio disse que as determinações do decreto são cumpridas e que as empresas aguardam a definição da Prefeitura de Foz do Iguaçu sobre pedido de apoio financeiro. Esse auxílio público seria para “a cobertura de prejuízos devido à redução do número de passageiros” durante a pandemia. 

A estimativa do Consórcio Sorriso é que 18 mil passageiros utilizem o serviço diariamente, neste mês de agosto, dos quais 6 mil correspondam a usuários com gratuidade. Antes da pandemia, essa média era de 60 mil.

Com menos ônibus em circulação, passageiro esperam mais tempo pela condução em pontos de embarque e no terminal, aumentando o risco de exposição ao novo coronavírus. A solução encontrada por trabalhadores que dependem do serviço é sair mais cedo de casa, a fim de evitar atraso na entrada do trabalho.
 

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