Quando se fala em doação, órgãos como coração, fígado e rins costumam ser os primeiros lembrados. Mas existe outra frente importante e ainda pouco conhecida: a doação de tecidos. A campanha Setembro Verde reforça a conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos, como córneas, pele, ossos, tendões, cartilagens e tecidos cardiovasculares.
Depois de processados e armazenados, esses materiais podem ser utilizados em diferentes tratamentos. Dependendo do tecido, a doação pode contribuir para recuperar a visão, tratar grandes queimaduras, realizar enxertos e auxiliar em procedimentos ortopédicos, odontológicos e cardiovasculares.
No Paraná, o processo é organizado e regulado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), por meio da Central Estadual de Transplantes (CET), em uma rede que reúne hospitais, equipes especializadas e bancos de tecidos públicos e privados.
Entre janeiro e agosto deste ano, foram transplantadas 788 córneas no estado, segundo dados da CET. Ao mesmo tempo, 2.795 pessoas aguardavam por esse tipo de transplante, que representa a maior demanda do sistema.
Doação de tecidos
O Banco de Olhos Regional de Londrina (BOL), do Hospital Universitário de Londrina (HU), é o único banco público de olhos do Paraná. Com 15 anos de atuação, recebe, trata e armazena córneas doadas e as encaminha conforme a demanda e a lista de espera organizada pela CET.
A doação começa com as equipes de Organização de Procura de Órgãos (OPO), que atuam nos hospitais, fazem o contato com as famílias e coordenam a retirada dos órgãos e tecidos. A autorização familiar é fundamental, e o processo segue os critérios do Sistema Nacional de Transplantes.
Pele humana como curativo
A pele humana pode funcionar como um curativo biológico para pessoas com grandes queimaduras, protegendo a área lesionada, ajudando a evitar infecções e mantendo a hidratação durante a recuperação.
O tecido ósseo pode ser utilizado em enxertos na odontologia e na ortopedia, inclusive em cirurgias de grande porte. Tendões e cartilagens também são empregados em procedimentos musculoesqueléticos. Na área cardiovascular, tecidos como o pericárdio podem ser usados na produção de válvulas cardíacas.
Outro tecido que ampliou suas possibilidades de uso é a membrana amniótica, retirada da parte interna da placenta. Incorporada neste ano ao SUS para transplantes, pode ser utilizada como curativo biológico no tratamento de queimaduras, feridas crônicas, pé diabético e doenças oculares.
Em Curitiba, o Banco de Tecidos do Hospital Universitário Evangélico Mackenzie reúne todos esses tipos de tecidos em uma única estrutura: globos oculares, ossos, pele, cartilagem, tendões, membrana amniótica, valvas cardíacas e pericárdio.
Cerca de 90% dos tecidos doados e processados pela unidade são destinados ao SUS, integrando uma rede que envolve hospitais, equipes de doação, bancos especializados e unidades transplantadoras.
(Com informações da Agência Estadual de Notícias)

