Cátia Castro durante entrevista ao programa Marco Zero - Foto: Carlos Sossas

Nenhum cenário dá segurança para volta às aulas presenciais, afirma educadora

Número de casos de covid-19 e falta de estrutura das escolas, somados a velhos problemas, como carência de professores e funcionários, são obstáculos para o retorno.

Os números da pandemia de covid-19 e as condições de segurança sanitária nas escolas da rede estadual não autorizam a volta às aulas presenciais. É o que defende a pedagoga Cátia Castro, diretora da APP-Sindicato/Foz, em entrevista ao programa Marco Zero, produção conjunta do H2FOZ e da Rádio Clube FM.

Assista à entrevista:

Em meio a incertezas entre educadores, estudantes, pais e mães de alunos, o retorno às escolas está previsto pelo Governo do Paraná para o dia 1º de março – a programação inicial era para 18 de fevereiro, em formato híbrido. A gestão estadual afirma ter feito investimentos em medidas sanitárias e em treinamento dos educadores.

Para a dirigente sindical iguaçuense, a quantidade de novos casos e de mortes por covid-19 no Paraná e nas cidades não permite o retorno letivo em sala de aula. Para ela, a situação é agravada com antigos problemas, como a falta de professores e funcionários. Ela afirma que o governo não discute as medidas sanitárias com a categoria.

“A situação é muito preocupante. A gente pede que as famílias busquem informações nas escolas sobre as medidas sanitárias que estão sendo adotadas”, orienta. “Porque não está nada seguro como o governo vinha falando reiteradamente na mídia, tanto que o possível retorno foi adiado”, enfatiza a educadora.

Ela relata que os colégios estaduais não dispõem de protocolos de biossegurança, uma exigência para o retorno presencial do ano letivo. Equipamentos de proteção individual não chegaram a todos os estabelecimentos de ensino, há falta de funcionários, e o quadro de professores não está completo.

“Na minha escola, que fica em uma região central de Foz do Iguaçu, havia quatro professores para a turma de 6º ano, que teria que ter nove”, revela. “Parte dos professores são temporários, e esse contrato não foi efetivado. 30% da categoria foi demitida no ano passado, em plena pandemia, e agora é que será recontratada”, frisa.

De acordo com Cátia Castro, desde 2013 não há concurso público na rede estadual. “Que segurança causa isso aos pais? Saber que ele vai mandar o filho para a escola e ele terá aula vaga? Quem serão os profissionais que vão acompanhar essas crianças? No pátio elas não vão poder ficar, para evitar situação de aglomeração.”

Nesse ponto, a educadora descortina outro problema para a volta às aulas: a carência de agentes educacionais. “O número de funcionários nas escolas já é insuficiente para o cotidiano, imagina para o tanto de atividades a mais numa pandemia. Quem será responsável por aferir a temperatura, intensificar a limpeza, por exemplo?”, questiona.

A representante da APP ressalta que não são todas as escolas que dispõem de tecnologia para o ensino no modelo híbrido, defendido pelo governo, o qual combina aulas remotas e presenciais. “São pouquíssimas escolas que estão equipadas com essa potência de internet. Eles [dirigentes da Seed] falam de um lugar que não é a realidade da escola pública”, pontua Cátia.

Paulo Bogler - H2FOZ

Paulo Bogler é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.

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