Aida Franco de Lima – OPINIÃO
Você já deve ter visto por aí. Em qualquer grande rede de supermercado, em shoppings, lanchonetes em beiras de estradas e similares, há máquinas cheias de bichos de pelúcia fofinhos, coloridos, com aquela musiquinha que lembra carrossel de parque de diversão. Mas não tem nada de divertido não. Isso é só mais uma armadilha para atrair e viciar as crianças. E marmanjos também! Parece fofo, e a família e amigos vão até comemorar se um dia alguém conseguir capturar um bichinho. Porém, antes disso, o capturado foi quem está do outro lado da máquina!
Não é exagero. Não é por acaso que as máquinas são posicionadas em locais estratégicos. Elas são apenas mais uma forma de jogo — e jogo que, de preferência, vicie. Jogo de azar! Azar ainda mais para quem acredita que vale mesmo a pena “ganhar” um bicho de pelúcia em troca de tão pouco dinheiro. Eventualmente, pode ser que a pessoa que leve um bichinho para casa tenha deixado poucas moedas ali. No entanto, outras tantas pagaram essa conta. Assim como não tem almoço, não tem pelúcia grátis.
Outro dia, vi uma criança que ficou por alguns minutos mexendo na máquina, tentando pegar um bichinho. Ela nem tinha colocado moeda. Sua mãe pagava o caixa. Ela saiu frustrada quando a mãe chamou. Não ganhou nada. Só perdeu seu precioso tempo.
Investigações apontam que determinadas máquinas são programadas para capturar a pelúcia somente depois de certo número de tentativas. Ou seja. Não depende de destreza. Não é sorte. É pura enganação. A pessoa fica ali, depositando seu dinheiro, suas esperanças, seu tempo e, se não for no tempo programado para a máquina liberar o bichinho, ela não vai levar — e ponto final.
- De acordo com a Agência Brasil: “A perícia realizada nos equipamentos constatou que os bonecos são dotados de um sistema eletrônico de contador de jogadas e, conforme programação realizada pelo operador das máquinas, é liberada uma corrente elétrica que permite gerar potência suficiente para que a pessoa consiga capturar o bichinho de pelúcia somente após um determinado número de tentativas. Caso esse número programado de créditos jogados não tenha sido atingido, a corrente elétrica enviada gera uma potência insuficiente para pegar o bicho de pelúcia. Segundo a polícia, ‘o esquema é um processo fraudulento para enganar os consumidores, que acreditam que a obtenção do prêmio depende da sua habilidade ao operar a máquina para pegar os bichinhos de pelúcia’.
Essas máquinas em que o humano é desafiado por sistemas eletrônicos, de garras, é muito diferente das brincadeiras das antigas festas juninas ou das quermesses das cidades do interior. Nestas, o jogador usava as suas habilidades para arremessar argolas e manusear varas de pescar, até mesmo espingardas de pressão para atingir objetos inanimados. Era, sim, o desafio da habilidade humana ou mesmo de sua sorte em busca de um brinde, mesmo que esse não pagasse o custo de seu esforço. Mas ao menos era mais espontâneo. E eram situações esporádicas, em épocas específicas que não permitiam que a pessoa se viciasse em busca de um objeto.
Basta dar um Google. Os relatos estão aí. Pessoas que perdem o controle e precisam de ajuda profissional para se livrarem do vício em tal tipo de droga. Não basta o tigrinho no universo digital, mais esta armadilha que se aproveita da magia dos personagens do universo encantado para enganar crianças e adultos. Não caia nessa. É cilada!
Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do H2FOZ.
Quer divulgar a sua opinião. Envie o seu artigo para o e-mail portal@h2foz.com.br

