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“O Agente Secreto” x apologia ao nazismo em Mossoró

Ditadura e nazismo, por mais dor que tenha causado a milhares de famílias, são negados por conta de ideologias.

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“O Agente Secreto” x apologia ao nazismo em Mossoró
Apesar da brutalidade do nazismo e da ditadura, há quem insista em negar ou brincar com tais acontecimentos. Foto: Cartaz do filme O Agente Secreto e redes sociais.
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Aida Franco de Lima – OPINIÃO

O filme O Agente Secreto faturou dois troféus no consagrado Globo de Ouro, no último domingo. Os prêmios foram na categoria de Melhor Filme de Língua Não Inglesa e Melhor Ator em Filme de Drama, ambos concedidos ao diretor Kléber Mendonça e ao ator Wagner Moura. 

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A obra conta a história de um professor de tecnologia que, no ano de 1977, muda-se de São Paulo rumo aos ares de Recife em busca de sossego. Mas junto da sua bagagem segue também o odor da ditatura militar, que dava as cartas do jogo político brasileiro e iria imputar-lhe uma jornada fugindo de perseguições e todo o cenário que tal sistema político promove.

Kléber Mendonça, em seu discurso, entre outras falas, frisou a necessidade de os diretores atuais se atentarem ao quadro político contemporâneo, para que esses acontecimentos não sejam ignorados e esquecidos.

Wagner Moura seguiu a mesma linha e destacou: “O Agente Secreto é um filme sobre memória, a falta da memória e o trauma geracional. Eu acho que, se o trauma é passado por gerações, valores também.”

No ano de 2025, outro filme brasileiro, Ainda Estou Aqui, também foi premiado na categoria Melhor Atriz em Filme de Drama, concedido a Fernanda Torres. Nele, é narrado o drama de uma mulher, Eunice Paiva, que teve sua família devastada com a cassação, prisão e desaparecimento do seu esposo, o deputado Rubens Paiva, durante a ditadura militar.

Os filmes mencionados causam uma tensão na sociedade brasileira atual, pois, enquanto uma parte comemora a preservação de nossa memória, uma outra alega que tudo não passa de ilusão; que a ditadura militar é coisa de esquerdista.

Do mesmo modo como muitos negam a ditadura, há os que questionam também a existência do nazismo. Por tratar-se de um acontecimento de há quase um século, relativamente distante das gerações atuais, aos poucos as testemunhas oculares do regime deixam de existir. E por isso a importância dos registros, das datas, dos monumentos que façam com que a sociedade seja lembrada, constantemente, do ocorrido.

Há um filme, bastante usado nas aulas de História, que se chama A Onda. Ele é de 2009 e foi baseado em um experimento social de 1967, quando um professor de uma escola da Califórnia pediu aos alunos uma atividade prática, em que seria demonstrado como nascem e se propagam regimes autoritários.

No filme, estudantes de uma escola na Alemanha questionam a real existência de um regime como o nazismo e se a sociedade realmente permitiria tal atrocidade. O experimento foge do controle quando, com exceção de um aluno, todos os demais acatam os comandos.

  • Mas parece que alguém andou faltando às aulas durante o ensino médio, em Mossoró, no interior do Rio Grande do Norte. Ocorre que na formatura do curso de Medicina, no último final de semana, um convidado de uma formanda apareceu vestido com o uniforme do Exército Alemão: com coturno, calça, jaqueta, braçadeira e insígnias, e o corte da vestimenta típica do período. Só não tinha o bigode famoso porque se trata de um adolescente.

Nas imagens das câmeras de segurança não há o registro de sua entrada fardado. Mas vai aparecer de tal forma na mesa da família e na foto. Inclusive com os familiares fazendo saudação nazista. Nas redes sociais, há menções de situações similares em que o mesmo adolescente se veste com o mesmo uniforme. A apologia ao nazismo, no Brasil, não é liberdade de expressão. É crime!

Ainda Estou Aqui, O Agente Secreto e A Onda são exemplos da importância do registro da memória e provam que nossa sociedade, mais que em qualquer outro momento, tem acesso facilitado à informação. Porém, muitos preferem as mensagens que são convenientes e que conversam com seu pensamento. A realidade que lute!

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do H2FOZ.

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    Aida Franco de Lima

    Aida Franco de Lima é jornalista, professora e escritora. Dra. em Comunicação e Semiótica, especialista em Meio Ambiente.

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