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Trump: continue criando galinhas, não expectativa

Trump trata o mundo como se fosse o seu quintal e muda as regras internacionais de acordo com sua instabilidade mental.

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Trump: continue criando galinhas, não expectativa
Trump trata o mundo como seu quintal. Foto: FreePik e Kevin Dietsch/Getty Images
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Aida Franco de Lima – OPINIÃO

Há um ano, escrevi um artigo intitulado “Trump: crie galinhas, mas não expectativas”. No texto, finalizava dizendo que Trump não enganou ninguém, que ele prometeu governar para os seus e o faria. Sua tentativa frustrada em negar a legalidade do processo eleitoral, na penúltima eleição, tirou-o do páreo. Mas seu retorno trouxe uma nova configuração ao xadrez da política internacional. O jogo, que sempre teve regras, caiu por terra. Trump se sente o dono do tabuleiro e, assim sendo, muda as regras conforme o movimento de seu hemisfério cerebral.

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Desde a sua posse, há um ano, muita água poluída rolou por baixo da ponte, e o presidente permaneceu na mídia o tempo todo. Trump, que trata a esquerda como escória, faz do lema “ninguém solta a mão de ninguém” o contrário. Ele larga a mão de qualquer um.

Pegou na mão do clã bolsonarista, lascou taxas no Brasil, imputou a Lei Magnitsky em membros do Supremo Tribunal Federal (STF). Porém nem deu muito tempo de a ala da extrema direita brasileira comemorar, Trump mostrou que se larga soldado ferido para trás sim.

Fez declarações públicas para Bolsonaro, ao dizer que era um “bom homem”, mas meses depois mirou para o rival ao falar que “Lula é um cara muito vigoroso”. Viu-se obrigado a rever as taxas impostas a produtos importados do Brasil essenciais à economia americana e de brinde retirou as implicações ao STF.

Profetizou a criação de um oásis do consumo na Faixa de Gaza, fazendo uma limpeza étnica no local. O plano não deu muito certo, contudo ainda assim decretou o cessar-fogo entre Israel e Hamas em uma das fronteiras bélicas mais conhecidas.

Queria para si o título de Nobel da Paz. Como não conseguiu o original, ganhou o genérico, criado pela Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA). Assim, o primeiro Prêmio da Paz FIFA foi para Trump, entregue por seu fã — o presidente da FIFA, Gianni Infantino.

Mas esses são apenas detalhes sobre a forma como Trump move as peças do tabuleiro internacional. Se o mundo fosse um jogo de xadrez, o presidente estadunidense teria criado regras, as quais ele mudaria conforme sua necessidade. Para Trump, o adversário não passa de peão — e, montado em seu cavalo imperial, o rei toma posse da casa que ele quiser.

Antes da posse, há um ano, o norte-americano já dizia que queria tomar para si a Groenlândia e anexar o Canadá aos EUA. Mas mudou o jogo, passou a atacar a Venezuela com a desculpa de combater o narcotráfico — sendo que ele próprio concedeu perdão ao ex-presidente de Honduras Juan Orlando Hernández, condenado a 45 anos de prisão por narcotráfico de 500 toneladas de cocaína aos Estados Unidos.

Primeiramente, bombardeou pequenas embarcações, matando mais de 80 pessoas, sem apresentar qualquer prova; depois, sequestrou petroleiros; e, por fim, capturou o presidente, que agia como ditador, Nicolás Maduro, vitimando mais de 40 pessoas durante o ataque. Não se importou em fazer discurso em nome da democracia, deixando claro que quer mesmo o petróleo.

Já ameaçou também meter-se no México, Colômbia e Cuba. E há políticos brasileiros pedindo intervenção aqui no Brasil também. A esperança é de que tudo passa, apesar de o estrago estar feito. Trump tem mais três anos de governo e, pela lei, não pode concorrer a terceiro mandato. Contudo, assim como ele se coloca como o proprietário do tabuleiro mundial, não há qualquer previsibilidade. Com tanta cobiça na América Latina e ao dizer que “o hemisfério ocidental é nosso”, Trump está afirmando, a seu modo, “a garantia sou yo”.

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do H2FOZ.

Quer divulgar a sua opinião. Envie o seu artigo para o e-mail portal@h2foz.com.br

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    Aida Franco de Lima

    Aida Franco de Lima é jornalista, professora e escritora. Dra. em Comunicação e Semiótica, especialista em Meio Ambiente.

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