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Trump, o bélico

Sem aprovação do Congresso americano, Trump deixa negociações e parte para o embate contra o Irã.

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Trump, o bélico
Trump, queria Prêmio Nobel da Paz, mas semea mais uma guerra regional. Foto: FreePik

Aida Franco de Lima – OPINIÃO

E de repente, o mundo se vê diante de um conflito de proporções imprevisíveis. Assim como Trump, cuja única certeza é sua imprevisibilidade. A operação militar contra o Irã não foi aprovada pelo Congresso americano. Esta é a sétima intervenção em países que Trump trata como seu quintal, daquele que dizia que iria governar para os seus.

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Mas o fato é que quem votou e apoia Trump é conivente com seus ideais e tem, sim, as mãos sujas de sangue. Um ex-presidente derrotado, que questionou uma eleição legítima, que insuflou seus eleitores contra as próprias leis, e depois voltou a ser eleito, vai ter alguma palavra?

Trump talvez tenha se acostumado com a intervenção que fez na Venezuela, ao bombardear embarcações, invadir e sequestrar o ditador Nicolás Maduro, substituindo-o por sua vice-presidente, Delcy Rodríguez. Acostumou-se a jogar xadrez com suas regras. Mas, agora, parece que se esqueceu de combinar com os iranianos.

  • Os sinais tinham sido dados, mas foi na madrugada de sábado, 28, no Brasil, que as notícias vieram. EUA e Israel matando o líder supremo, Ali Khamenei. Entre os alvos militares, 165 meninas de uma escola no Sul do Irã. Não se fala em bombardeios cirúrgicos, estratégicos, poupando civis. Essa história não se sustenta.

A questão é que o Irã não ficou apenas na defensiva. Atacou e ultrapassou o denominado Domo de Ferro de Israel, um sistema antiaéreo que protegeria o país de bombardeios, interceptando os mísseis antes de atingir os alvos.

Na visão de Nabieh Babashahi, jornalista iraniana, o seu povo quer intervenção externa para livrar-se do regime. Ela teme mais mortes nas prisões. O Irã vivencia ondas de protestos da população, principalmente por conta da inflação de 40% ao ano, e o regime responde com violência. Nas últimas manifestações, de fevereiro, os cálculos de ONGs externas são de mais de seis mil mortos.

O ataque dos EUA em um primeiro momento seria em reação à repressão contra os manifestantes, posteriormente contra o programa nuclear iraniano. Com certeza, tais ataques não foram em prol da democracia, nem no Irã nem na China. Enquanto Israel diz que a guerra pode levar “um tempo”, Trump afirma que pode durar quatro ou cinco semanas. Como se tivessem controle de toda a situação. Até o momento, o Irã contabiliza 787 mortos. Os ataques de mísseis iranianos a bases e outros territórios podem impactar os planos de Israel e EUA.

Os analistas estão em estado de atenção, pois ninguém sabe a magnitude da situação. Entre bombardeios, mortos e feridos, há o Estreito de Ormuz, do qual o Irã anunciou o fechamento, que liga o Golfo Pérsico ao Mar da Arábia e por onde 20% do petróleo mundial passa.

No Brasil, o agronegócio está preocupado com consequências futuras, em virtude do escoamento da produção e importação de insumos.

Trump, ao bombardear o Irã, joga luzes para a guerra e ofusca denúncias que caem como mísseis, também, em seu colo. O chamado Caso Epstein. Mais um caso infame, assim como Trump, em que um magnata americano e sua rede de contatos se envolveram em esquema de tráfico humano, com denúncias de canibalismo, pedofilia, inclusive vítimas bebês. Diversas pessoas envolvidas e que fizeram denúncias, coincidentemente, cometeram suicídio. Inclusive Jeffrey Edward Epstein. Mas é tanta podridão, que fica para o próximo texto.

Trump queria o Prêmio Nobel da Paz. Conseguiu visibilidade por tema abaixo da linha da humanidade.

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do H2FOZ.

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    Aida Franco de Lima

    Aida Franco de Lima é jornalista, professora e escritora. Dra. em Comunicação e Semiótica, especialista em Meio Ambiente.

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