Considerado o maior influenciador muçulmano no Brasil e na América Latina, o xeique Jihad Hammadeh avalia que por trás do preconceito e da discriminação há ausência de conhecimento e de cultura. O líder religioso participou no domingo, 1.º, em Foz do Iguaçu, de um talk show promovido pelo Centro Cultural Beneficente de Foz do Iguaçu (CCBI) e a Mesquita Omar Ibn Al-Khattab.
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Para Hammadeh, conhecer o outro é uma demonstração de cultura. Se não há cultura, o ser humano se torna inimigo daquilo que desconhece. “No Brasil, o preconceito e a discriminação estão presentes por falta de conhecimento, não por questões históricas”, observa.
Na avaliação dele, o antídoto para o preconceito e a discriminação é a conscientização, que ocorre via conhecimento. Por isso, afirma, a comunidade islâmica de Foz do Iguaçu está aberta a todas as demais comunidades e religiões e promove diálogos.

“Não ouça sobre mim, ouça de mim. Essa é a melhor forma para a gente acabar com o preconceito”, frisa o xeique. Na análise de Hammadeh, as mulheres muçulmanas são um dos principais alvos do preconceito pelo fato de usarem o véu, chamado hijab.
Ainda segundo ele, a discriminação não recai apenas nos muçulmanos, atinge fiéis de outras religiões, a exemplo daquelas de matriz africana. Entre os cristãos, analisa, há também preconceitos de uns contra outros.
Para ele, uma pessoa tem direito de discordar de outra, porém é preciso manter o respeito.
O líder muçulmano enfatiza a necessidade de estabelecer um diálogo entre as religiões, porque hoje a sociedade tem muitos problemas. São questões que envolvem insegurança, fome, doenças, desequilíbrios emocionais, depressão e ansiedade.
Historiador e cientista social, Hammadeh defende que as lideranças religiosas estabeleçam uma união de forças a fim de enfrentar a situação.
Comunidade islâmica de Foz
Comunidade islâmica de Foz xeique considera a comunidade islâmica de Foz do Iguaçu diferenciada. Para ele, há uma sinergia entre os muçulmanos e a sociedade local. O líder ainda destaca a Mesquita Omar Ibn Al-Khattab como um ponto turístico e menciona a importância da escola árabe e do trabalho que vem sendo feito nas redes sociais pelo CCBI.
Ele lembra que Foz do Iguaçu ganhou destaque na época da novela O Clone, lançada em outubro de 2001, da qual foi consultor. Na ocasião, a situação estava crítica na Tríplice Fronteira em razão das acusações de terrorismo, e a novela amenizou o impacto negativo que vinha dos Estados Unidos.
“A novela mencionou Foz diversas vezes. Tio Ali falava que ia para Foz visitar os parentes e primos”, recorda. Após a novela, o xeique recebeu uma homenagem da Câmara de Vereadores de Foz.
Outro suporte para a conexão entre a comunidade islâmica e a sociedade é a Escola Árabe Bertoni, que tem 130 alunos muçulmanos e não muçulmanos de 2 a 11 anos. Diretora da unidade, Shirly El Chami diz que os estudantes aprendem o árabe em uma parceria com uma instituição da Arábia Saudita e participam de competições com alunos de outros países.
Para o presidente da Mesquita Omar Ibn Al-Khattab e do CCBI, Mohamed Rahal essas ações, que incluem talk show, ajudam a fortalecer o diálogo e o respeito entre os povos. O evento com o líder Hammadeh reuniu cerca de 200 pessoas, incluindo jovens.

Durante o talk show, foi lançada a edição do Alcorão com transliteração e tradução para o português feita pelo professor Samir El-Hayek. A produção da obra foi uma iniciativa das Damas da Mesquita, um grupo de mulheres que se dedica à difusão da cultura islâmica.
Segunda maior comunidade árabe do Brasil, depois da de São Paulo, a comunidade árabe-libanesa de Foz do Iguaçu reúne aproximadamente 12 mil pessoas, entre muçulmanos, cristão e drusos.




