Morte do Gato Mochileiro entristece 240 mil seguidores

À esquerda, o carinho de Jhon por Bella. À direita, o último abraço no gatinho já morto. Fotos Facebook

Um seguidor do gato Bella no Facebook chegou a oferecer recompensa a quem apontar o culpado pelo envenenamento.

A página oficial no Facebook do Gato Mochileiro (El Gato Mochilero 1) tem agora um símbolo de luto sobre a foto de Bella (de “bela criatura”, o gato é macho) e de seu companheiro de viagens, Jhon Galvis.

O gato mochileiro foi envenenado no município de Coronel Oviedo, no Paraguai, país que os dois percorriam há mais de um ano e meio.

CELEBRIDADE

O gato era uma celebridade nas redes sociais. A página El Gato Mochilero 1 tem 215,3 mil seguidores; o grupo público El Gato Mochilero tem 23,4 mil integrantes.

Por onde passavam, o gatinho chamava a atenção. Não só pela meiguice e pelas poses, mas também por estar sempre com óculos escuros diferentes, assim como usando uma gravatinha ou outro tipo de roupa ou fantasia.

Na página oficial do Gato Mochileiro, o símbolo de luto.

Houve muitos lamentos com a morte de Bella; e muita revolta, também.

Um dos seguidores chegou a oferecer 2 milhões de guaranis (R$ 1.600) a quem fornecer pistas sobre os responsáveis pela morte do gato.

O jornal ABC Color entrevistou Hernán Cáceres Barrios, que divulgou a recompensa. Ele contou que várias pessoas já entraram em contato e muitos denunciaram uma família que mora perto da casa onde John e Bella estavam. A família já teria cometido outros atos semelhantes.

O gato mochileiro iria completar 3 anos de idade em dezembro deste ano. Novinho, portanto, já que a expectativa de vida de um gato doméstico é de 15 anos.

O INÍCIO DAS AVENTURAS

Mas como ele virou celebridade e como a dupla saiu América do Sul afora?

Jhon Galvis, hoje com 39 anos, morava em Barranquilla, na Colômbia. Depois de saber que tinha câncer, sofreu uma decepção amorosa e entrou em depressão.

Mas decidiu deixar o medo e a depressão de lado e cair na estrada. Alguns dias antes de viajar, conheceu o gatinho num restaurante. Ele era parte de uma ninhada, mas foi o único que não fugiu quando ele se aproximou. E até deixou-se cumprimentar por Jhon.

“Ali eu soube que ele não sofre de medo. Por isso gostei dele e nos lançamos à aventura. (Ele) viaja desde que tinha um mês de vida. Praticamente cresceu viajando por cidades da América do Sul”, contou Jhon ao jornal Correo del Sur, da Bolívia, conforme reportagem publicada em setembro de 2019.

Ele disse que já não tinha mais medo e nem apareceram sinais de câncer. Estava saudável como o gatinho.

Antes da Bolívia, Jhon e Bella (sobre seu ombro), já haviam visitado a própria Colômbia, o Equador e o Peru. Depois da Bolívia, vieram ao Brasil e, no ano passado, antes da pandemia, começaram a percorrer o Paraguai.

… E O FIM

Com a pandemia, ficaram por ali mesmo até hoje. E, agora, Jhon tem uma namorada paraguaia, que compartilha com ele o amor pelos bichos. E, certamente, o luto por Bella.

O jornal La Nación, do Paraguai, conta que os profissionais de veterinária sentiram muito a morte de Bella, pelo estímulo que dava à adoção de animais abandonados.

O veterinário do Gato Mochileiro, Diosnel Dávalos, fez análises no corpo do gato, para confirmar se foi mesmo envenenado. Coisa de que ele não duvidava.

Bella era saudável e morreu sem vestígio de qualquer ferimento.

A aventura de El Gato Mochilero acabou.

Mas não a esperança de que um dia o ser humano aprenda a ser mais… humano.

Adeus, Bella!
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Claudio Dalla Benetta - H2FOZ

Cláudio Dalla Benetta é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.

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