600 mil mortes pela COVID

Se você fizer um minuto de silêncio para cada uma das vítimas da Covid-19 no Brasil, passará mais de um ano quieto: precisamente 416 dias. Foto: Marcos Labanca

* José Elias Castro Gomes – OPINIÃO

Qual a herança do maior luto da nossa história?

Você sabe quantos brasileiros morreram na II Guerra Mundial?

Pense bem, estamos falando do maior evento bélico do século XX, no qual o recrutamento de um soldado era quase uma sentença de morte. Eis a resposta: 450 brasileiros faleceram em campo de batalha. Uma tragédia, sem dúvida nenhuma. Mas esse número chega a ser quase dez vezes menor que a quantidade de mortes pelo coronavírus ocorrida em um único dia no Brasil – em 8 de abril do presente ano, por exemplo, foram 4.249 óbitos. As mortes de nossos pracinhas durante os confrontos são enormemente lamentadas por todo cidadão que se considera patriota, e com toda razão. Mas esse comparativo ajuda a entender a dimensão colossal do drama que estamos vivendo.

Se você fizer um minuto de silêncio para cada uma das vítimas da Covid-19 no Brasil, passará mais de um ano quieto: precisamente 416 dias. Consegue perceber a dimensão de todo esse terror? Não, ninguém consegue. Foge à nossa capacidade de entendimento, daí a tentativa de fazer comparativos para que possamos de algum modo quantificar o desastre sanitário que está nos açoitando implacavelmente.

Esse amargor incalculável não se restringe às pessoas que perderam suas vidas, posto que cada morte gerou uma ausência irreparável em uma família, deixando muitas vezes órfãos e outros dependentes sem condições mínimas de subsistência. E avançou para o campo econômico, com empresas fechando as portas, desemprego em alta e o desconcertante índice de 73% das famílias brasileiras endividadas, segundo a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, com levantamento divulgado em 25/08/21).

A lástima de um número de mortes gigantesco se somou ao aumento da desigualdade social, atingindo cada bairro, distrito e rincão dos 5.568 municípios brasileiros. A politização da vacina e do tratamento potencializou enormemente essa tragédia anunciada. E salientou a necessidade cada vez mais urgente de um alinhamento governamental e de uma política de governança séria para o país.

Só nos resta tentar aprender algo com a pandemia, o que é uma tarefa embaraçosa, posto que o ideal seria termos aprendido antes de chegar a esse ponto. Precisamos minimamente melhorar nosso convívio social, entender que dependemos uns dos outros e que nossa colaboração efetiva em desastres dessa natureza pode ajudar a mitigá-los. Precisamos melhorar o convívio familiar, estimular nossas escolas a ensinarem práticas colaborativas, apoiar a comunidade e a vizinhança. Só assim estaremos preparados para nos mobilizar e nos blindar de outros eventos que tragam ameaça coletiva.

Felizmente estamos conseguindo reduzir os números da tragédia graças à vacinação. Mas vamos manter os cuidados básicos no uso de máscaras, álcool em gel e convívio social calculado. A pandemia continua. E nosso empenho para derrotá-la também.

José Elias Castro Gomes é secretário da Transparência e Governança de Foz do Iguaçu.

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