OPINIÃO – Por Paulo Bogler
Com dois órgãos municipais permanentes custeados pelo poder público para cuidar da qualidade do transporte e da mobilidade, e atuação estadual e federal em obras previstas para liberar o movimento de veículos, Foz do Iguaçu enfrenta o caos no trânsito em dias de maior fluxo turístico. Gargalo antigo, que volta a repetir-se neste carnaval, causa infortúnio para moradores e visitantes e joga contra a imagem do destino.
É uma contradição. De um lado, investimentos públicos e privados para atrair turistas e impulsionar o setor, um dos motores da economia; de outro, repete-se e se prolonga o problema estrutural que colapsa a mobilidade urbana e fronteiriça. Outro paradoxo: uma ponte internacional nova, custeada pelo bolso do contribuinte para reduzir pendências logísticas, permanece subutilizada, praticamente sem uso.
A rodovia que leva às Cataratas do Iguaçu, que deveria ser cênica, verde, respirável, por ser o caminho que antecede belezas incomuns, ficou mais uma vez congestionada de veículos nesse domingo, 15. À direita da pista paralisada, na ciclovia e no acostamento, automóveis, vans e motocicletas em alta velocidade: manobra irregular que põe em risco a segurança viária e, ainda assim, repete-se sem contenção da fiscalização.
Não é episódio isolado, mas padrão em períodos de alta ocupação turística. A consequência é o desgaste da imagem da cidade, que pode levar à perda de competitividade diante de outros polos turísticos.
Há mais exemplos de como não se deve tratar uma cidade turística. Viajantes retiram as malas dos carros parados no trânsito e, correndo a pé, carregam-nas para o aeroporto, para não perder voos. Seria cômico se não fosse trágico. O terminal aéreo, internacional, revitalizado com dinheiro público e recentemente privatizado, observação necessária, há pouco suspendeu embarques devido a inaceitáveis buracos na pista.
Manhã de segunda-feira, 16. O quadro caótico pode ser notado em outros locais da cidade. Pontos de ônibus lotados em vias como a Rua Almirante Barroso, com turistas à espera da linha entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este. Transporte público, parêntese inevitável, é alternativa para a mobilidade urbana quando tem qualidade. Já cedo, a fila de veículos na BR-277, no sentido ao Paraguai, ultrapassava a Avenida Paraná.
Filas nas pontes que levam ao Paraguai e à Argentina, congestionamentos sucessivos na Rodovia das Cataratas, que está em obras há longos quatro anos, alteram a experiência do visitante em um teste de paciência. Não é episódio isolado, mas padrão em períodos de alta ocupação turística. A consequência é o desgaste da imagem da cidade, que pode levar à perda de competitividade diante de outros polos turísticos.
A gestão municipal, instância mais próxima do problema, não convoca para si a mobilização necessária para resolver a situação e cobrar responsabilidades. Vereadores acabaram de sair do recesso de fim de ano e já ingressaram em outro, o momesco. E os agentes públicos estaduais e federais? Onde estão os interlocutores? Enquanto isso, Foz do Iguaçu permanece estacionada no gargalo que trava o acesso a bairros, a pontes internacionais e a estradas que conduzem às atrações vendidas no Brasil e fora dele.
*Artigo não reflete a opinião do portal H2FOZ.



Ontem a fila para o parque nacional levou três 🕒 horas
A Rodovia das Cataratas já deveria estar concluída há tempos, mas para o governador o importante é a conclusão da Ponte de Guaratuba. Quanto ao turista, se sabe que tem obras na pista de acesso ao aeroporto, no mínimo tem que imaginar que precisa sair bem mais cedo do que o normal para pegar seu voo. Em relação ao problema do trânsito excessivo na Ponte da Amizade…não será resolvido com a plena utilização da Ponte da Integração, isso é conversa para boi dormir. O problema de Foz é que os gestores fazem obras para resolver um problema imediato, sem pensar em uma solução prática a longo prazo.
Será o que esses gestores de trânsito e outras mobilidades discutem quando sentam para expor problemas: será que são só a curto prazo? Sabem eles que todos os anos aumenta o número de carros,motos , ônibus, então, não se pode discutir o futuro? Vai suportar, todo esse trânsito só com o quê foi construído até agora?