Ciudad del Este, a que “nasceu” duas vezes, faz 65 anos

Com população em crescimento contínuo, cidade tem muitos problemas, mas muito dinamismo, também. Foto: Marcos Labanca

Segunda cidade mais importante do Paraguai, a antiga Flor de Lis também foi nome de ditador.

A vizinha Ciudad del Este, conhecida no Brasil inteiro por seu comércio de importados, completa nesta quinta-feira, 3, 65 anos de fundação.

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Com muitos problemas para resolver, mas também muito a oferecer ao departamento de Alto Paraná, do qual é a capital, e ao Paraguai inteiro, Ciudad del Este não se limita às lojas do microcentro.

Fora daquela área, tem bairros aprazíveis, por onde se espalha uma população de 415.748 habitantes, segundo a projeção para 2021 feita pelo Instituto Nacional de Estatísticas do Paraguai.

São nada menos que 157.777 pessoas a mais do que as residentes em Foz do Iguaçu, que teria 256.971 habitantes, de acordo com projeção do IBGE também para 2021.

A cidade paraguaia “explode” em crescimento, enquanto Foz encolhe. Em 2000, Ciudad del Este tinha 227.709 moradores e Foz era habitada por 258.543 pessoas.

Já no censo de 2020, a situação se inverteu: Foz diminuiu 1%, passando a 256.088 habitantes, enquanto Ciudad del Este aumentou 53%, contando com 349.347 moradores.

Pelas projeções para ambas as cidades, Foz do Iguaçu continuará encolhendo, enquanto Ciudad del Este vai ganhar cada vez mais moradores.

COMÉRCIO E INDÚSTRIA

Cidade cresce mais rapidamente que Foz do Iguaçu, graças a uma economia mais dinâmica. Foto: Paraguai Cresce (Facebook)

O que explica esse crescimento de Ciudad del Este são as oportunidades de trabalho e de renda que oferece, não só aos próprios paraguaios, mas a quem queira investir.

O comércio de importados de Ciudad del Este, que enfrentou uma grave crise com a pandemia e ainda não se recuperou totalmente, é extremamente dependente dos turistas brasileiros, mas a cidade tem parques industriais importantes.

Ali atuam empresas principalmente dentro do regime de maquila, com produção voltada à exportação para os países do Mercosul, principalmente o Brasil.

E muitas dessas empresas são brasileiras, que se instalaram no Paraguai aproveitando as vantagens de isenções de impostos e custo mais baixo da energia elétrica.

E, no Brasil, comprar dessas empresas é mais vantajoso do que adquirir da China, onde o frete subiu demais, nos últimos tempos, e há muita demora para a entrega, enquanto do Paraguai as mercadorias chegam rapidamente aos compradores.

Uma vista noturna de Ciudad del Este, do Paraguai Cresce (Facebook)

PRECISA DE REAÇÃO

Mas Ciudad del Este, hoje, transmite sinais de alerta que exigem uma reação imediata, disse o empresário Octavio Manuel Airaldi, em entrevista ao jornal La Nación, justamente para comentar a situação nesses 65 anos do município.

“Nós nos encontramos num processo de perda competitiva no mercado, a crise sanitária que atingiu a todos aumentou esta queda. Não pudemos reagir a essas mudanças e a cidade foi perdendo o poder comercial que tinha”, acrescentou o empresário.

“Os 65 anos de Ciudad del Este nos dizem muitas coisas. Nos dizem que, com luta e esforço, se chegou ao que hoje temos como cidade. Faltou algo muito importante: o setor privado fez muito, o setor público não acompanhou tudo o que merece ser esta cidade.”

E falou do contraste existente entre modernos centros de compras, como existem “na Quinta Avenida, de Nova York” e as “ruas desastrosas e infraestrutura nula”, como se fossem de “um país africano de paupérrimas condições”.

“Precisa mudar essa imagem paupérrima, com boas ruas, boa iluminação, e pensar a sério de uma vez por todas em converter (as ruas) em exclusivas para pedestres, como existem em qualquer cidade que pretenda ser turística”, disse Airaldi.

Ele alertou que, se não houver mudanças, Ciudad del Este ficará com o único ramo de sempre, o turismo de compras, “que está perdendo competitividade, em razão de que também os vizinhos implementaram este mesmo modelo de comercialização”.

“Em consequência, se não incomporarmos outros ramos e novas ofertas econômicas, o futuro não é muito alentador”, finalizou.

É uma visão correta, mas não dá para esquecer que Ciudad del Este é mais que seu comércio e mais até do que pode oferecer como turismo. É uma cidade dinâmica, em expansão, e chegará o momento em que precisará, de fato, ter a infraestrutura que merece.

OS DOIS NASCIMENTOS

Nos anos 1970, a então Presidente Stroessner já era a meca dos compristas brasileiros.
A Ponte da Amizade, em obras. Concluída em 1965, é hoje símbolo da integração entre dois povos irmãos.

No título deste texto, está lá que Ciudad del Este “nasceu” duas vezes. É uma brincadeira histórica, que já mencionamos quando ela completou 63 anos.

Ciudad del Este foi fundada por decreto em 3 de fevereiro de 1957, com o singelo nome de Flor de Lis, logo depois alterado para o nome do ditador Alfredo Stroessner, no poder desde 1954.

O dia 3 de fevereiro de 1989, quando aniversariava, foi também o dia do golpe de estado que destituiu o ditador e, com a queda, a cidade perdeu o nome dele e ganhou o atual.

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Claudio Dalla Benetta - H2FOZ

Cláudio Dalla Benetta é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.