Um livro didático destinado às escolas públicas do Paraguai, contendo alusões ao nazismo, está gerando grandes debates entre profissionais da educação e familiares de alunos no país vizinho.
O material, elaborado para utilização pelo Ministério da Educação (MEC), traz conteúdos como a história do menino Adolfo. Nascido em uma pequena cidade da Áustria, Adolfo venceu na vida após enfrentar muitas dificuldades. Seu sobrenome? Hitler.
O questionamento inicial sobre a inadequação partiu da senadora Esperanza Martínez, da bancada de oposição. Em seguida, ganhou a adesão de parlamentares governistas como a colorada Blanca Ovelar, ex-ministra da Educação do Paraguai.
Ovelar repudiou, ademais, atividades com caráter machista, que colocam a mulher em papel de subordinação em relação ao homem. “Nos anos 1990, quando houve a reforma educativa, já lutamos contra isso. Agora, retrocedemos 30 anos”, lamentou.
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De acordo com a ex-ministra da Educação, nas últimas duas décadas, o MEC do Paraguai vem passando por um esvaziamento. “Faltam técnicos para garantir que os livros tenham os conteúdos adequados. As pessoas se aposentaram, e não houve renovação”, disse.
Já o atual ministro da Educação, Luis Ramírez, reconheceu a existência de problemas. Conforme Ramírez, os materiais didáticos questionados ainda estavam passando por testes, para avaliar a viabilidade de uma distribuição mais ampla.
Reação da Defensoria Pública do Paraguai
A respeito, a Defensoria Pública do Paraguai emitiu comunicado manifestando preocupação e reivindicando a retirada dos materiais.
“Os questionamentos sobre expressões que reproduziriam estereótipos de gênero, referências inapropriadas ao nazismo e pedidos que poderiam gerar interpretações equivocadas sobre os direitos fundamentais da infância exigem uma revisão rigorosa, transparente e responsável por parte das autoridades educativas”, pontuou a Defensoria.
Desculpas à comunidade judaica
Por outro lado, nesta quinta-feira (22), o ministro Luis Ramírez pediu desculpas à comunidade judaica do Paraguai pela alusão a Adolf Hitler. O austríaco, líder do nazismo alemão, comandou o regime que assassinou mais de seis milhões de judeus na Europa.

