Nos últimos três anos, as instituições de ensino superior no Paraguai emitiram cerca de cem mil diplomas universitários. Desse total, 63% são de alunos formados em cursos sem acreditação.
É o que revela um levantamento elaborado pela Agência Nacional de Avaliação e Acreditação da Educação Superior (Aneaes), responsável pelo processo de verificação.
Em entrevista ao canal NPY, o presidente da Aneaes, José Fernando Duarte Penayo, alertou que o problema ocorre, principalmente, nas instituições privadas.
“Há uma brecha muito grande no Paraguai. No geral, apenas 10% dos cursos existentes, uns cinco mil, têm a acreditação, as garantias de qualidade. Este é um processo longo, no qual a massificação da oferta se expandiu sem um devido controle”, afirmou.
Leia também:
Medicina no Paraguai: descubra quantos brasileiros estudam em Ciudad del Este
Duarte Penayo explicou que concluir um curso que não está acreditado pode trazer prejuízos para o estudante. Na área da medicina, por exemplo, o formando ficará impedido de participar dos processos de especialização (residência) no Paraguai.
“Significa um diploma com menor respaldo acadêmico”, reforçou. “Uma pessoa que faz um curso não acreditado encontra dificuldades para continuar seus estudos em instituições de primeiro mundo, que exigem um diploma devidamente respaldado.”
Entre as áreas com mais irregularidades, o presidente da Aneaes citou direito, com pouco mais de 17% de cursos acreditados. Na saúde, conforme Duarte Penayo, o problema central está relacionado a cursos como Enfermagem e Fisioterapia.
“Precisamos dar um corte definitivo na informalidade na educação superior do Paraguai. Se dependesse só de nós, hoje mesmo faríamos a intervenção em todos os cursos que estão irregulares”, disse.
De acordo com o presidente, o relatório completo será disponibilizado, na íntegra, na próxima semana. O site oficial https://www.aneaes.gov.py/ conta com ferramentas para pesquisar se o curso desejado possui acreditação da agência.

