Para o presidente do Paraguai, Santiago Peña, a hidrelétrica de Itaipu não deveria passar a cobrar a tarifa mínima a partir de 2027. A declaração aludiu à intenção do Brasil, principal consumidor da energia da usina, de reduzir os valores.
Leia também:
Paraguai impõe sigilo ao relatório sobre a espionagem brasileira
Em declarações reproduzidas pelo portal Hoy.com, Peña avaliou que, atualmente, a construção de Itaipu não ocorreria, devido às exigências ambientais. Para o presidente, a usina tem dívidas sociais e de meio ambiente para saldar com o país.
“Há muitas dívidas com o Paraguai e com os paraguaios. Parte destas dívidas é saldada com investimentos, infraestrutura, saúde, educação e segurança”, afirmou.
Em 2023, Brasil e Paraguai quitaram, integralmente, a dívida gerada pela construção da usina. Já a definição da tarifa para os anos de 2024, 2025 e 2026 ocorreu por meio de acordo bilateral. Para 2027, haverá renegociação dos valores.
Sobre a margem financeira que Itaipu tem para investimentos sociais e ambientais no Brasil e no Paraguai, Peña disse crer que poderá haver redução, não um corte total.
“Pode ser um orçamento mais ajustado, mas não pode ser zero. Itaipu continua com sua responsabilidade em sua área de influência no Alto Paraná, Canindeyú e outros departamentos [estados]”, opinou Peña.
O atual presidente do Paraguai tem mandato até agosto de 2028. Por outro lado, no Brasil, há eleições presidenciais marcadas para outubro de 2026, o que poderá resultar em troca de governo, caso Lula não obtenha a reeleição.
Brasil e Paraguai programaram, para 2026, a conclusão da revisão do Anexo C do Tratado de Itaipu. O anexo define as bases financeiras para o funcionamento da usina e influencia, diretamente, em questões como a definição da tarifa. logo

