Um milhão de paraguaios fazem peregrinação pela Virgem de Caacupé

Centenas de agentes da polícia rodoviária do Paraguai foram mobilizados para orientar o trânsito nas rodovias. Foto Agência IP

O dia 8 de dezembro é a data da padroeira do Paraguai, reverenciada na Basílica de Caacupé, a 53 km de Assunção.

Nesta mesma época, em 2020 – Ruas vazias e silêncio na pequena cidade de Caacupé, de 56 mil habitantes, a 53 km de Assunção. A cidade abriga a Basílica da padroeira do Paraguai, Nossa Senhora de Caacupé, reverenciada pelos paraguaios, que fazem peregrinação para festejar o dia dela, 8 de dezembro.

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Agora, em Caacupé – Milhares de pessoas estão vindo de todo o Paraguai para homenagear a padroeira, a quem atribuem milagres – ela é também conhecida como a Virgem dos Milagres.

A situação mudou radicalmente, porque em 2020 vivia-se o auge da pandemia de covid-19, e a peregrinação a Caacupé foi suspensa, bem como as celebrações litúrgicas na Basílica de Nossa Senhora.

UM MILHÃO

Este ano, a peregrinação a Caacupé deve mover pelo país um milhão de paraguaios. Isso traz duas preocupações às autoridades: uma é o trânsito nas estradas, intenso e caótico, que exigiu um aumento da fiscalização rodoviária.

Mais de 330 homens da Patrulla Caminera (a polícia rodoviária do Paraguai) estão nos pontos de maior tráfego das rodovias do país, para orientar os motoristas e evitar abusos.

A outra preocupação diz respeito à possibilidade de aumento dos contágios pelo coronavírus. O Ministério de Saúde do Paraguai faz inúmeras recomendações, em especial sobre o uso de máscaras, lavagem das mãos e distanciamento social.

Na recepção aos visitantes, informação de locais para testes e vacinação anticovid. Foto Ministério da Saúde

É a mesma recomendação que fazem os religiosos que organizam a recepção aos peregrinos e coordenam os atos na Basílica de Caacupé. Eles pedem aos fiéis que respeitem as demarcações de distanciamento e cumpram as medidas de protocolo sanitário.

Embora mais da metade da população paraguaia não tenha recebido nenhuma dose da vacina, o Ministério da Saúde diz que os peregrinos devem estar imunizados e recomenda que funcionários de restaurantes, lanchonetes e hotéis também contem com esquema completo de vacinação e tomem cuidados para que sejam respeitadas as medidas sanitárias.

Haverá postos de vacinação instalados próximo aos locais onde se concentram os peregrinos, para estimular os que ainda não se imunizaram a finalmente atenderem a essa necessidade de prevenção.

Orientações para evitar a proliferação de novos casos de covid-19. Foto Ministério da Saúde

LENDAS

A Virgem de Caacupé, a exemplo de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, tem origem em histórias e lendas antigas do século 16.

A origem de Nossa Senhora de Caacupé remonta pelo menos a 1750, quando um homem trouxe à região a imagem de uma santa, que teria sido feita por um índio de nome José, para levantar uma capela.

Em 1770, foi fundado o município de Caacupé, pelo irlandês Carlos Murphy, a serviço da coroa espanhola.

Mas não são as lendas – ou nem a História – que importam para os paraguaios, mas a crença de que Nossa Senhora de Caacupé atende os pedidos daqueles que têm fé e a procuram.

E o dia 8 de dezembro marca a peregrinação dos que vão agradecer os pedidos atendidos pela santa ou apenas renovar seus votos de fé em Nossa Senhora.

A padroeira do Paraguai. Em volta da imagem, agradecimentos dos fiéis.

LOCALIZAÇÃO

Caacupé fica perto do Lago de Ypacaraí, que inspirou a guarânia que ficou famosa no mundo inteiro. É também o local onde nasceu a cantora paraguaio-brasileira Perla, grande sucesso nos anos 1970, no Brasil.

Em julho de 2015, o papa Francisco visitou Caacupé e anunciou que o santuário de Nossa Senhora tinha sido elevado à categoria de Basílica Menor. É a segunda igreja do Paraguai a receber este título – a outra é a Catedral de Assunção.

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Claudio Dalla Benetta - H2FOZ

Cláudio Dalla Benetta é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.