Oscilações e quedas frequentes de tensão elétrica viraram rotina para moradores do Jardim Ipê, na Região Norte de Foz do Iguaçu. Segundo denúncias relatadas ao H2FOZ, a rede de eletricidade não tem suportado a demanda durante as noites de calor intenso, resultando em baixas bruscas na tensão e desconforto à população.
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De acordo com medições realizadas pelos próprios consumidores, a voltagem nas residências tem chegado a picos mínimos entre 181 e 186 volts. Especialistas alertam que aparelhos de ar condicionado, por exemplo, necessitam de uma média entre 190v e 230v para operar com segurança.

“Problema recorrente em dias quentes”
O empresário e desenvolvedor de software Alvaro Ojeda relata que o problema vem ocorrendo há três anos na região e se tornou recorrente em dias de calor.
“Isso vem ocorrendo em horários específicos, geralmente a partir das 19h. Em algumas situações menos comuns, chegam a ocorrer quedas de energia que duram horas”, reclama.
Ele explica que sua primeira atitude foi chamar um eletricista para revisar a instalação e, em várias ocasiões, acionou o técnico em refrigeração para verificar os equipamentos. “O principal problema dessa oscilação é que os aparelhos de ar condicionado não conseguem iniciar os compressores. Tenho aparelhos de 12 e 18 mil BTUs, e em dias assim eles simplesmente não ligam. Cheguei até a cogitar a troca dos equipamentos.”
Impacto em aparelhos domésticos
Segundo o técnico em refrigeração Willian Mendes, o comportamento relatado é consequência direta da baixa tensão. “Nessa potência, o ar-condicionado não liga. E se liga, o motor começa a oscilar, podendo gerar até a queima do equipamento”, frisa.
O problema também afeta refrigeradores, que muitas vezes não conseguem dar partida devido à “energia fraca” entregue pela Copel.
Crescimento do bairro e infraestrutura obsoleta
Uma causa apontada para o problema é o descompasso entre o crescimento do bairro e a capacidade da rede instalada. O aumento de novos comércios, somado ao uso intensivo de climatização no verão, tem sobrecarregado o sistema.
“A rede não está suportando. O bairro cresce, e acontece isso”, revela Mendes, destacando que, embora novos empreendimentos geralmente paguem pelo reforço da rede (como transformadores novos), a infraestrutura geral parece não acompanhar a demanda residencial.
Prejuízos e reclamações sem solução
A situação também trouxe prejuízos financeiros aos moradores. “Depois de perder um ar-condicionado do tipo inverter, resolvi comprar um multímetro para avaliar melhor. Notei a queda de tensão, o que explica a queima do equipamento, já que esse tipo é mais sensível à oscilação de energia. Eu já perdi um aparelho com a queima da placa e tive que jogar fora. Meu vizinho da frente teve o mesmo problema.”
A insatisfação dos moradores é agravada pela falta de resposta da Copel. Diversos chamados já foram abertos, mas até o momento o problema persiste. “Registrei reclamação na Copel. Hoje [sábado, 7], durante o atendimento local, o técnico constatou que o problema está na rede — os transformadores não estão dando conta da demanda em momentos de sobrecarga. Meu receio é começar a perder mais equipamentos. Eu trabalho em casa e dependo de energia estável para os meus computadores”, ressalta o empresário Alvaro Ojeda.
Segundo o morador, um técnico lhe disse que a equipe da Copel já tem conhecimento do problema, pois há outras reclamações semelhantes. Por fim, ele acrescentou que o transformador da região tem capacidade de 75 kVA, quando o ideal seria de pelo menos 102 kVA.
Posicionamento da Copel
Em resposta ao questionamentos sobre a situação, a Copel informou ao H2FOZ que irá apurar os níveis de tensão do circuito e analisar se há medidas necessárias de correção.

