Tudo começou com uma brincadeira. Em um dia qualquer, Brimo resolveu fazer um vídeo de uma receita de quibe cru. Com um lenço árabe na cabeça, falava português arranhado e chamava a esposa — que preparava o prato — de secretária. Foi o suficiente para viralizar.
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Meses depois, esse iguaçuense, de origem libanesa, tornou-se um influencer na área de gastronomia e hoje viaja pelo mundo divulgando delícias no perfil do Instagram:@brimomudi.
Trata-se de Mahmoud Kamal Osman, 44 anos, mais conhecido por Brimo Mudi. Natural de Londrina, ele cresceu em Foz do Iguaçu. Filho de comerciantes, aprendeu, desde cedo, os segredos de quem vende.
Osman atua com comércio de confecções em Foz do Iguaçu, abriu um restaurante que não vingou e hoje ainda mantém negócios no Rio de Janeiro. “Sempre gostei de gastronomia, cheguei a abrir um restaurante, mas vi que gostava mais de comer do que fazer”, diz.
Na rede social Instagram, ele começou postando sobre a rotina, momentos de família em casa, viagens, como qualquer pessoa. Mas depois do vídeo do quibe cru viralizar, uma luz acendeu, e ele resolveu apostar na internet.
“Essa secretária não tem jeito”
Para Mudi, a frase “essa secretária não tem jeito”, usada no vídeo para referir-se à esposa, Rejane Osman, que demorava para fazer o prato, foi o chamariz para o vídeo viralizar. Após a postagem, quando saia às ruas, ele percebeu as pessoas falando sobre o vídeo, mesmo quem ele não conhecia.
Ao observar a boa resposta, Mudi decidiu gravar outros vídeos de receita, iniciando pela fatuche — salada típica da culinária árabe. Ele e a esposa fizeram oito vídeos, com isso o número de seguidores do perfil, que estava em 2.200, chegou a cerca de dez mil em um intervalo de oito meses. As gravações foram realizadas há dois anos, durante o Ramadã — jejum feito por seguidores do islamismo.
Com o crescimento do perfil, Mudi resolver investir mais e ir às ruas. Ele gravou uma série de vídeos sobre shawarma em Foz. Nesse momento, conta, as pessoas começavam a identificar-se com o personagem do Brimo.
O próximo passo foi ir a Ciudad del Este mostrar a comida de rua — sanduíche grego, chipa e outros pratos típicos do país. A resposta aos vídeos feitos no Paraguai surpreendeu, e ele conseguiu muitos seguidores do próprio Paraguai e do Brasil.
Com esse incentivo, Mudi decidiu dar passos mais largos e viajou para São Paulo para gravar uma temporada sobre hambúrguer. Ele ficou três dias na capital paulista, fez registros em oito hamburguerias e comeu 16 hambúrgueres, dos “melhores que você possa imaginar”, fala. Um dos vídeos viralizou, e ele conseguiu mais 20 mil seguidores.
O influencer voltou para a fronteira e retomou as gravações no Paraguai. Ao percorrer as ruas, notou que as pessoas começaram a aproximar-se dele para tirar fotos. E ele perguntava de onde elas eram. Muitas moravam no Paraná, principalmente em Curitiba. Foi aí que ele definiu a capital paranaense como próximo ponto de parada.
“Aí comecei a gravar vídeos em Curitiba e começou a deslanchar”, revela Mudi. Segundo ele, essa proximidade fez com que criasse vínculos com a cidade e as pessoas. Afirma que tenta mostrar um pouco da alegria e do perfil brincalhão nos vídeos, os quais acabam saindo de modo mais natural.
Hoje, o seu perfil no Instagram tem 141 mil seguidores. E agora, enquanto você lê esta matéria, ele está no Marrocos gravando vídeos de comida de rua, com patrocínio de uma empresa de purê de batata.
Eis que surge o chocolate
A história de Mudi não para por aí. No meio dos virais das receitas, comidas de ruas e hambúrgueres, ele criou uma marca própria de chocolate.
Mais uma vez, tudo começou ao “acaso”, se é que o acaso existe. Osman relata que ele e a esposa viram na internet um vídeo com receita de chocolate. Resolveram fazer para levar em uma reunião familiar.
Lá, todo mundo que provou gostou. A esposa pensou, então, em fazer para vender. Inicialmente, ele estava resistente à ideia, até porque ir para o fogão não é o forte de Mudi. Com o tempo, Rejane resolveu encarar o desafio e fez o chocolate.
O marido passou a vender no Instagram, e a ideia “colou”. Faltou até embalagem, ingrediente, e ele decidiu fazer uma lista de espera. Assim, surgiu a fábrica de chocolates da marca Chocly. Administrada pela esposa e filhas de Mudi, a microempresa tem três funcionários contratados.
O chocolate está à venda em alguns mercados árabes de Foz do Iguaçu e no perfil @choclyoficial. Em Foz, outdoors divulgam a marca.
Com esta história toda, é fácil falar: o Brimo sabe, sim, fazer qualquer negócio!


