O acontecimento foi sério, nada hilário. Ilário Onofre é o morador que caiu com seu Fusca em um imenso buraco aberto em uma rua de asfalto novo em Foz do Iguaçu. Foi na noite de 14 de janeiro de 1983, sinistro que que noticiou o jornal Nosso Tempo.
Técnico em eletrônica, Ilário havia deixado mulher e filho pequeno na casa de um parente. Seguia com o Fuscão pela Rua Amazonas, asfaltada havia pouco tempo, quando, em uma baixada, o carro e o motorista foram engolidos por uma cratera de dois metros de profundidade por três de largura.
Fusca cai no buraco
Uma das principais da região, a Rua Amazonas atravessa o Campos do Iguaçu, ligando a Avenida República Argentina à Costa e Silva, conexão à esquerda com o centro e, à direita, com a BR-277. Não havia placas de sinalização que impedissem o trânsito, relatou o jornal. “Seu asfaltamento está praticamente terminado, não havendo, portanto, nenhum impedimento para o livre trânsito.”
Na baixada onde ocorreu o acidente com o Fusca, o rio foi canalizado por tubulação. “Com as obras, a prefeitura moveu os tubos e não se sabe por que cargas d’água até agora não os cobriu”, cobrou o Nosso Tempo. Entre os detalhes da reportagem, a placa do veículo, ainda no formato antigo: FL-0970.
Problema na Justiça e político
O morador iguaçuense atribuiu a responsabilidade ao interventor que chefiava a prefeitura, o coronel Clóvis Vianna, e anunciou que levaria o caso à Justiça. Para o processo, mobilizou várias testemunhas — não apenas favoráveis à reparação do motorista, mas também descontentes com a gestão militar no Palácio das Cataratas.
“A ação de Ilário contra o coronel-interventor e toda a sua gang, se for vitoriosa, irá limpar a alma dos iguaçuenses vítimas do desgoverno da ditadura municipal, patrocinada pelo general Figueiredo e pelo partido do amém, ou melhor, PDS”, publicou o jornal Nosso Tempo.
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História de Foz a um clique
O portal Nosso Tempo Digital reúne todo o acervo do jornal, projeto lançado para marcar o aniversário de 30 anos do periódico rebelde. Assim, o objetivo é preservar a memória da cidade, facilitar o acesso à história local e regional, e democratizar a consulta ao acervo midiático por meio da internet.
O acesso é gratuito. O acervo constitui fonte valiosa para o morador desejoso de vasculhar a história da cidade e de seus atores, contada nas 387 edições do jornal que foram digitalizadas, abrangendo de dezembro de 1980 a dezembro de 1989.


