Com direito a charge na capa e fotos retratando o movimento de embarcações, o episódio da “Guerra das Balsas”, na travessia entre Brasil e Argentina, foi destaque do jornal Diário da Cidade, na edição nº 8, de 16 de março de 1984. O exemplar integra o Museu da Imprensa de Foz do Iguaçu, acervo digital para consulta pública e gratuita.
Nesse período, a conexão entre Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú ocorria por embarcações, pelo Rio Iguaçu, a partir do Porto Meira, na margem brasileira, até a abertura da Ponte Internacional Tancredo Neves. O fluxo nas águas e a quebra do acordo entre os balseiros afetou tanto o comércio quanto o turismo, reportava o jornal, ao abordar o impacto na fronteira.
A origem do imbróglio era a inadequação das estruturas aduaneiras — como velhos problemas se repetem! —, pois havia falta de espaço nas aduanas, que tinham capacidade para receber apenas uma balsa por vez. Como as frequências e os movimentos eram distintos no fluxo entre Brasil e Argentina, por vezes as embarcações precisavam atracar na mesma margem simultaneamente.
Irritados, o pessoal de terra e os comandantes passaram a trocar ofensas. “Estas agressões mútuas estão trazendo prejuízos muito grandes para os comerciantes e turistas, porque o translado está ficando cada vez mais moroso”, descrevia o Diário de Foz. As marinhas dos dois países entraram no embate para pôr fim ao conflito.
Outro motivo para o impasse foi a “quebra de um acordo de cavalheiros feito entre os proprietários das balsas”. Por meio desse trato, era permitido às embarcações transportar passageiros e cargas em ambos os sentidos, o que dinamizava a travessia, mas contrariava determinações dos governos brasileiro e argentino.
“A situação está sendo mais agravada, agora, pelo transporte dos caminhões da Sobrenco — empresa que está construindo a ponte da Fraternidade [Ponte Tancredo Neves]”, contextualizava a reportagem. Devido ao tamanho, os veículos só podiam ser carregados pela balsa brasileira. Estava formada a confusão.
A edição do Diário da Cidade trazia uma charge assinada por Rogério Bonato em destaque na capa, carregada de picardia, explorando com bom humor as idiossincrasias dos vizinhos Brasil e Argentina.
Acesse o conteúdo original e na íntegra.
Diário da Cidade
Com a primeira edição em 8 de março de 1984, o Diário da Cidade foi uma resposta à demanda iguaçuense por um jornal diário, impulsionada pelas transformações da década inicial da construção de Itaipu. Na redação inaugural, atuaram profissionais como Lucivo Block, Luiz Maciel, Maria Adelina da Fonseca, Moiry Benatto, Murilo Simone Macedo, Ney Potto Guimarães, Rogério Bonato e Wilson Machado.
Museu da Imprensa
Acervo digital de jornais, revistas e publicações impressas de Foz do Iguaçu, com acesso público e gratuito. Reúne documentos que testemunham a trajetória do município e de sua gente, em imbricação com as Três Fronteiras — Argentina, Brasil e Paraguai.
A coleção inicial reúne quase 20 mil páginas, cobrindo um período histórico de seis décadas, a partir de 1953. O conteúdo é resultado do esforço coletivo de resgate, preservação e valorização desse patrimônio. O projeto é uma iniciativa da Associação Guatá, com apoio da Itaipu Binacional.
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