Em setembro de 1978, o Aeroporto de Foz do Iguaçu tornou-se palco de um espetáculo de tecnologia a serviço da soberania nacional. O terminal recebeu três Mirage III, caças supersônicos da FAB (Força Aérea Brasileira), em uma visita coberta pelo jornal Hoje Foz, na edição n.º 4, de de 2 de setembro.
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A edição digitalizada está disponível para leitura no Museu da Imprensa de Foz do Iguaçu. O acervo do Hoje Foz, cedido por Rosalvo Tavares para o projeto, soma 82 edições e 2.580 páginas jornalísticas, abrangendo os anos de 1978 a 1980.
Conforme a reportagem da época, as dependências do aeroporto foram tomadas pela população e turistas. Os pilotos e as aeronaves, citava o texto, mostraram em Foz do Iguaçu “os famosos Mirage que ultrapassam a barreira do som” em duas vezes, o que correspondia a uma velocidade aproximada de 2.350 quilômetros por hora (km/h).
As aeronaves, da 1.ª Alada (Ala de Defesa Aérea), sediada em Anápolis (GO), pousaram com leve atraso. Sob o comando do major Cavalcanti, do capitão Miranda e do 1.º tenente Ribas, os modelos vinham de uma reunião nacional festiva de pilotos.
Caças em Foz do Iguaçu
A visita das máquinas serviu como vitrine da modernidade militar da época. Um dos detalhes que mais impressionou o público foi o procedimento de pouso: devido à alta velocidade de aproximação, cerca de 300 km/h, o caça precisava acionar um paraquedas de frenagem na cauda para parar com segurança na pista.
Além dos supersônicos, a operação contou com o apoio logístico de um avião “Búfalo”, responsável pelo transporte de equipes, armamentos e veículos. A ação demonstrou, na fronteira do Brasil com a Argentina e o Paraguai, a complexidade necessária para manter uma esquadrilha supersônica em operação.
Base na fronteira?
Para além do entusiasmo popular, a presença dos Mirage III em Foz do Iguaçu carregou um peso geopolítico. À época, circularam informações extraoficiais de que o Ministério da Aeronáutica estudava a instalação de uma base aérea permanente na cidade.
O projeto incluiria aparelhagem sofisticada de rastreamento aéreo, justificada pela importância crescente da região das Três Fronteiras e, em especial, pelo valor estratégico que a cidade passaria a assumir com a construção da Itaipu Binacional. O ano de 1978 demarcou, mais uma vez, a relevância da geografia regional para a segurança e a soberania nacional.
Museu da Imprensa
Acervo digital de jornais, revistas e publicações impressas de Foz do Iguaçu, com acesso público e gratuito. Reúne documentos que testemunham a trajetória do município e de sua gente, em imbricação com as Três Fronteiras — Argentina, Brasil e Paraguai.
A coleção inicial reúne quase 20 mil páginas, cobrindo um período histórico de seis décadas, a partir de 1953. O conteúdo é resultado do esforço coletivo de resgate, preservação e valorização desse patrimônio. O projeto é uma iniciativa da Associação Guatá, com apoio da Itaipu Binacional.
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