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Pioneirismo

Monovias, os trilhos de concreto na construção da Itaipu

Reportagem de 1979 detalha a operação do sistema na usina, usado pela primeira vez no mundo; veja no Museu da Imprensa.

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Monovias, os trilhos de concreto na construção da Itaipu
Programado de forma automática, mecanismo era semelhante ao controle eletrônico de metrôs – foto: Informativo Unicon/reprodução

Conhecida pelos números superlativos e pela mobilização humana, a construção da Itaipu Binacional foi pioneira em diversas frentes tecnológicas. As monovias, os trilhos de concreto, por exemplo, foram um sistema usado pela primeira vez no mundo.

As informações estão na reportagem publicada em dezembro de 1979, no Informativo Unicon, órgão oficial bilíngue que reportou a evolução da obra. O conteúdo digitalizado está disponível para acesso gratuito no Museu da Imprensa de Foz do Iguaçu.

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O mecanismo, implantado nas margens esquerda e direita da barragem, constituía-se em um circuito fechado com carrinhos suspensos e trilho único. Programado de forma automática, semelhante ao controle eletrônico de metrôs, o sistema direcionava cada caçamba ao ponto exato de descarga, conforme identificação de destino, tipo de agregado e resistência do concreto.

A capacidade das monovias da Itaipu era de 900 metros cúbicos por hora, sendo 540 m³/h na Margem Esquerda e 360 m³/h na Margem Direita. Atendia cinco centrais de concreto interligadas ao sistema. Cada caçamba transportava até 6 m³ por viagem.

A transferência do material ocorria nas chamadas plataformas de “cais”, onde carrinhos intermediários faziam o repasse para as caçambas dos cabos aéreos. Sensores mecânicos e eletrônicos garantiam o alinhamento preciso para evitar falhas. Em caso de defeito na linha, luzes indicavam o ponto exato do problema, e o sistema parava sem colisões.

“A finalidade primordial da monovia é transportar o concreto das centrais para as caçambas dos cabos aéreos”, enfatizou o Informativo Unicon.

Monovias da Itaipu

O texto histórico destaca que as monovias passaram a operar regularmente em fevereiro de 1979. No recorde registrado em 23 de novembro daquele ano, quando 14.893,5 m³ de concreto foram lançados em 24 horas, as monovias responderam por 6.257 m³ do total.

Com o avanço da obra e a elevação da barragem até a altura da catenária dos cabos aéreos, parte das plataformas seria desmontada, reduzindo gradativamente o uso do sistema.

O sistema revela a complexidade operacional e o contingente técnico envolvido, como operadores, apontadores, fiscais, eletricistas e mecânicos. Esses profissionais eram responsáveis por manter em funcionamento um dos sistemas mais sofisticados da engenharia pesada à época.

Clique aqui e acesse o conteúdo original e na íntegra.

Museu da Imprensa

Acervo digital de jornais, revistas e publicações impressas de Foz do Iguaçu, com acesso público e gratuito. Reúne documentos que testemunham a trajetória do município e de sua gente, em imbricação com as Três Fronteiras — Argentina, Brasil e Paraguai.

A coleção inicial reúne quase 20 mil páginas, cobrindo um período histórico de seis décadas, a partir de 1953. O conteúdo é resultado do esforço coletivo de resgate, preservação e valorização desse patrimônio. O projeto é uma iniciativa da Associação Guatá, com apoio da Itaipu Binacional.

Acessewww.museudaimprensafoz.com.br

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    Paulo Bogler

    Paulo Bogler é repórter do H2FOZ. Com enfoque em pautas comunitárias, atua na cobertura de temas relacionados à cidade, política, cidadania, desenvolvimento e cultura local. Tem interesse em promover histórias, vozes e o cotidiano da população. E-mail: bogler@h2foz.com.br.

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