“Aconteceu a 23 de março de 1935 quando, num momento inesperado, ouviu-se um estranho ruído no ar, despertando a atenção de todos.” Assim a pioneira Otília Schimmelpfeng escreve e descreve o registro do primeiro avião a voar pelos céus de Foz do Iguaçu. O conteúdo integra uma série de artigos publicados em O Jornal de Foz, sob o título “Campo de Aviação”, disponíveis em formato digital no Museu da Imprensa.
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A primeira resenha contextualiza que a implantação da pista, nos anos trinta, na área onde hoje funciona o Clube Gresfi, abriu caminho para romper o isolamento aéreo de Foz do Iguaçu em relação a outras localidades. Assim, passou a ser possível encurtar para apenas quatro horas uma viagem que antes levava até oito dias para ser concluída.
A história da aviação em Foz do Iguaçu teve seus primeiros passos formais entre 1933 e 1934, quando se iniciaram os trâmites para a aquisição de terras destinadas à criação de um Campo de Aviação, resgatou a autora. O objetivo era viabilizar o plano do Correio Aéreo Militar, criando uma linha de conexão que se estenderia até Guaíra.
Por questões topográficas, a área escolhida foi a chácara do pioneiro Fulgêncio Pereira, um local que, à época, era considerado distante do centro da cidade, apontou Otília. Mas o primeiro contato da população com uma aeronave ocorreu de forma inesperada, no dia 23 de março de 1935.
Primórdios da aviação em Foz
O surgimento de um pequeno avião militar nos céus de Foz causou um impacto comparável à expectativa do primeiro pouso lunar, exultou a autora. Tratava-se de um “aviãozinho” de treinamento, de cor vermelha, procedente da 5.ª Base Aérea de Curitiba, pilotado pelo tenente Aroldo Domingues.
A missão era um voo de experiência e reconhecimento para traçar rotas e abrir novos horizontes para a região. O benefício prático dessa inovação foi imediato e drástico: a ligação entre Foz do Iguaçu e Curitiba (PR). O fascínio foi tamanho que os moradores corriam para tocar o aparelho, buscando certificar-se de que aquele objeto pesado, que voava “tão leve como um pássaro”, era algo real.
“Quanta gente correndo para ver de perto o tal avião. Era preciso tocar, certificar-se que aquilo era uma coisa real, palpável; descobrir o mistério daquele objeto pesado que voava tão leve como um pássaro…”, narrou Otília Schimmelpfeng, nas páginas de O Jornal de Foz. O texto é informativo, mas, pelo estilo, saboroso de ler, quase uma crônica.
1.º aeroporto
A inauguração oficial do Campo de Aviação aconteceu pouco depois do voo do “pássaro vermelho”, em 1.º de abril. “Lembro-me que até o dia se enfeitou de um céu todo azul, reverberante de sol, com a temperatura branda, ameníssima, contribuindo para o êxito do acontecimento em perspectiva”, anotou Otília.
Leia série de artigos de Otília Schimmelpfeng sobre os primórdios da aviação no Museu da Imprensa, acessando O Jornal de Foz.
Museu da Imprensa
Acervo digital de jornais, revistas e publicações impressas de Foz do Iguaçu, com acesso público e gratuito. Reúne documentos que testemunham a trajetória do município e de sua gente, em imbricação com as Três Fronteiras — Argentina, Brasil e Paraguai.
A coleção inicial reúne quase 20 mil páginas, cobrindo um período histórico de seis décadas, a partir de 1953. O conteúdo é resultado do esforço coletivo de resgate, preservação e valorização desse patrimônio. O projeto é uma iniciativa da Associação Guatá, com apoio da Itaipu Binacional.
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