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História

'Mundo cão'

Vereador propôs eliminar ‘cães vadios ou não’ pegos nas ruas em Foz do Iguaçu

Notícia de 1979 mostra a proposição na Câmara que previa a apreensão e o extermínio , evocando o turismo como uma das justificativas; acesse o conteúdo na íntegra.

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Vereador propôs eliminar ‘cães vadios ou não’ pegos nas ruas em Foz do Iguaçu
A charge usada como recurso para reflexão e crítica na imprensa - foto: Hoje Foz/reprodução
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Em 1979, um vereador propôs eliminar cães “vadios ou não” pegos nas ruas e avenidas de Foz do Iguaçu e de Santa Terezinha. A matéria foi publicada pelo jornal Hoje Foz, em edição que chegou às bancas em junho. O conteúdo original está disponível no Museu da Imprensa.

Inconcebível hoje e criticada já à época em que tramitou, a proposição chegou a render uma charge do jornal, que ridicularizou a iniciativa legislativa. A sugestão foi apresentada na forma de indicação ao interventor municipal daquele período.

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Quem assinou a proposta foi o então vereador Aldivo Wegner, filiado à Arena e eleito por Santa Terezinha de Itaipu, então distrito de Foz do Iguaçu. O edil acabou dando nome a uma rua no município vizinho.

O Hoje Foz explicou que a proposta previa que os animais fossem apreendidos, fichados e mantidos por um período determinado. Caso os proprietários não comparecessem para identificá-los e pagar uma taxa para reavê-los, os cães seriam exterminados ao fim do prazo estipulado.

Na justificativa apresentada à Câmara Municipal, o vereador alegava riscos à saúde pública, citando o temor da raiva e o perigo, sobretudo, para crianças. O texto também menciona reclamações sobre latidos noturnos e a presença constante de cães nas ruas de uma cidade já descrita, à época, como um dos principais destinos turísticos do país.

“Justifica-se tal indicação de vez que a cidade de Foz do Iguaçu, considerada uma das maiores cidades turísticas do país, se vê, de uma hora para outra, com um cão à sua volta”, escreveu Aldivo Wegner no documento oficial.

“Cães vadios ou não”

A publicação reproduz o teor integral da indicação, datada de 8 de junho de 1979 e assinada pelo parlamentar. O jornal optou por não emitir juízo direto sobre a proposta, deixando, segundo o próprio texto, “as conclusões por conta dos leitores”.

A proposta, evidentemente, contrasta com os debates contemporâneos, que priorizam políticas de castração, guarda responsável e bem-estar animal. O registro histórico permanece como documento de uma época e contribui para compreender a evolução das discussões sobre saúde pública, direitos dos animais e responsabilidades do poder público.

Museu da Imprensa

Acervo digital de jornais, revistas e publicações impressas de Foz do Iguaçu, com acesso público e gratuito. Reúne documentos que testemunham a trajetória do município e de sua gente, em imbricação com as Três Fronteiras — Argentina, Brasil e Paraguai.

A coleção inicial reúne quase 20 mil páginas, cobrindo um período histórico de seis décadas, a partir de 1953. O conteúdo é resultado do esforço coletivo de resgate, preservação e valorização desse patrimônio. O projeto é uma iniciativa da Associação Guatá, com apoio da Itaipu Binacional.

Acessewww.museudaimprensafoz.com.br

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    Paulo Bogler

    Paulo Bogler é repórter do H2FOZ. Com enfoque em pautas comunitárias, atua na cobertura de temas relacionados à cidade, política, cidadania, desenvolvimento e cultura local. Tem interesse em promover histórias, vozes e o cotidiano da população. E-mail: bogler@h2foz.com.br.

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