Quem embarcou ou desembarcou pelo Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu em 2025 encontrou aeronaves lotadas e poucos assentos vazios. No entanto, apesar do crescimento de 12,2% na movimentação em relação a 2024, o terminal ainda persegue os números deixados pela pandemia da covid-19.
Conforme dados consolidados da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac), o aeroporto iguaçuense movimentou 2.245.583 passageiros em 2025. O volume coloca a cidade na 23ª posição do ranking nacional, logo atrás de Navegantes (SC), e à frente de capitais turísticas como João Pessoa (PB), com 1,84 milhão, e São Luís (MA), com 1,82 milhão.
Contudo, os números seguem abaixo do teto pré-pandemia. Em 2019, o aeroporto estabeleceu seu recorde histórico com 2.288.602 passageiros. Ao fechar 2025, Foz atingiu 98,1% daquela marca. Faltaram pouco mais de 43 mil passageiros para que o “fantasma” de 2020 fosse finalmente superado.
A recuperação em “V” é visível, mas a perna final da subida tem sido a mais difícil. Após a queda dramática de 2020, quando o movimento despencou para 810 mil pessoas, o aeroporto vem crescendo ininterruptamente há cinco anos. O salto de 2 milhões em 2024 para 2,24 milhões em 2025 mostra vigor, mas expõe que o terminal ainda está recompondo perdas enquanto outros aeroportos do país já operam acima dos níveis pré-crise.
O paradoxo da eficiência
Se o recorde absoluto não veio, não foi por falta de demanda dos passageiros, mas possivelmente por gargalos na oferta de voos. Entre os 50 aeroportos mais movimentados do Brasil em 2025, Foz do Iguaçu registrou a segunda maior ocupação média de aeronaves, com índice de 85,9%.
O índice supera os maiores hubs do país, como Guarulhos (82,8%), Brasília (81,9%) e Congonhas (80,1%). Neste ranking dos TOP-50, Foz perde apenas para Boa Vista (RR), que teve 87% de aproveitamento dos assentos. Em suma, os voos para a Terra das Cataratas decolam e pousam praticamente lotados o ano todo.
A Latam, líder de mercado em Foz com 46,3% dos passageiros, voou com média de 88,4% de ocupação. A GOL garantiu a vice-liderança do mercado local (33,2% de share) com 84,2% de ocupação, seguida pela Azul (18,5% de share), que também voou cheia, com 84,8% de seus assentos ocupados.3
Dependência do Sudeste e gargalo internacional
No mercado doméstico, a dependência da “ponte” com o Sudeste é total. A rota para Guarulhos é a grande artéria do aeroporto: sozinha, ela foi responsável pelo embarque de 435 mil passageiros, o que representa cerca de 38% de todas as saídas de Foz (totalizando quase 870 mil considerando os trechos de retorno). Somando-se os passageiros da rota com o Rio de Janeiro/Galeão (457 mil) e São Paulo/Congonhas (351 mil), temos cerca de 85% do fluxo do aeroporto concentrado em apenas três destinos.

Para superar definitivamente a barreira de 2019, Foz do Iguaçu esbarra na concentração de rotas. O título de “Aeroporto Internacional” se sustenta por um fio: a operação para o exterior é tímida.
Em 2025, a única rota consolidada foi Santiago (Chile), operada principalmente pela JetSmart, que registrou cerca de 20.700 embarques (totalizando 42.698 passageiros na rota considerando ida e volta). Ainda assim, a ocupação deste voo internacional (73,6%) ficou bem abaixo da média doméstica.
Outros destinos sul-americanos aparecem apenas como traços estatísticos ou voos pontuais. Foram registrados, por exemplo, apenas 183 passageiros na rota para Buenos Aires (Ezeiza) e 163 para Lima (Peru) durante todo o ano, evidenciando a falta de conexões regulares com os vizinhos.
Nostalgia
Vale lembrar que nas décadas passadas Foz do Iguaçu contou com várias opções de rotas internacionais. Entre 2011 e 2019, por exemplo, a conexo com Lima (Peru) envolvia entre 40 mil e 70 mil passageiros todos anos. Ainda falando em destinos internacionais, somente em 2018 foram quase 60 mil pessoas nos voos diretos para a Argentina (a maioria para a capital, Buenos Aires, mas existiam opções diretas para outros destinos como Rosário e Salta).
Houve também o tempo dos voos diretos para Assunção, no Paraguai (entre 2004 e 2005), e Montevidéu, no Uruguai (entre 2010 e 2012). Se retrocedermos mais, em 2002, o Aeroporto de Foz do Iguaçu operou voos diretos para Paris (França) e Milão (Itália), envolvendo cerca de 1,5 mil viajantes.
Novas rotas
Entre outubro e novembro, Foz do Iguaçu inaugurou duas novas rotas aéreas para Fortaleza e Brasília, que juntas transportaram quase 25 mil passageiros. O destaque foi a conexão com a capital federal, com 23,6 mil passageiros e uma ocupação de 88,7% das aeronaves.

