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Cannabis medicinal: decisão da Anvisa amplia uso em pacientes e pesquisa, avalia associação em Foz

Associação Sentir aponta que a regulamentação favorecerá o paciente, que terá acesso mais facilitado ao medicamento e redução no preço.

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Cannabis medicinal: decisão da Anvisa amplia uso em pacientes e pesquisa, avalia associação em Foz
Cultivo legal da planta na Associação Sentir, em Foz do Iguaçu - foto: Marcos Labanca/H2FOZ
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Decisão regulatória da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no último dia 28, deverá ampliar o uso em pacientes e a pesquisa da cannabis medicinal. A avaliação é da Sentir (Associação Cannábica de Estudo e Terapias Integradas), de Foz do Iguaçu, voltada para a democratização da utilização da planta como medicamento.

A agência sanitária atendeu à determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), de 2024, que definiu a legalidade da produção “para fins exclusivamente medicinais e/ou farmacêuticos atrelados à proteção do direito à saúde”. De acordo com a Anvisa, é sua a responsabilidade de “dar respostas regulatórias responsáveis, baseadas em evidências, para que o paciente esteja no centro das decisões”.

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Para Geraldo Brito, consultor da Associação Sentir, a medida é um progresso importante, restando ainda mais avanços para ocorrerem. Ele contextualiza que o STJ reconheceu o plantio e o cultivo do cânhamo industrial, que é uma variação da Cannabis sativa, utilizada para fins medicinais, e determinou a regulamentação pela Anvisa.

“A medida favorece em muito as associações, tanto na área de pesquisa, quanto no atendimento às pessoas”, opina. “Permite, assim, que a nossa associação possa ampliar o cultivo [habeas corpus coletivo], ampliando também o número de pacientes que serão atendidos. A medida favorece a missão de fornecer um medicamento de qualidade e acessível”, frisa Geraldo.

As novas regras facilitam a atuação de associações, não o cultivo individual e doméstico, para o qual não houve avanços, explica Geraldo. “Estamos felizes porque as associações poderão produzir mais e sem limites de canabinoides, e isso abre caminho para o fortalecimento de parcerias via associação”, frisa.

Conforme o consultor, com o novo regramento, a Associação Sentir enfocará a criação de uma equipe para conduzir parcerias formais com universidades para, entre outros objetivos, fomentar a pesquisa e estudos de caso, como uma discussão que já foi iniciada com a Unioeste, exemplifica.

“De modo geral, a regulamentação favorece o paciente, que terá acesso mais facilitado ao medicamento, redução de preço e melhora da qualidade do produto, a partir de análises e acompanhamento rigoroso”, conclui Geraldo Brito.

A Associação Sentir conta com dezenas de associados, de Foz do Iguaçu e de outras cidades. Fundada em 2023, a entidade elabora pedidos de habeas corpus à Justiça, mediante instrução técnica e prescrição médica, para que os pacientes possam produzir a planta e seu próprio medicamento, entre outras ações para a democratizar o uso terapêutico da planta.

Cannabis medicinal          

Autor da Lei Pétala, que visa a democratizar o uso da cannabis medicinal no Paraná, o deputado estadual Goura (PDT) considerou a decisão da Anvisa histórica. Para ele, a medida amplia o acesso e aprova o cultivo da planta para a indústria farmacêutica, pesquisa e associações sem fins lucrativos, abrangendo ainda mais seu uso.

“A medida não muda a proibição do uso adulto da cannabis, mantendo o foco exclusivo na finalidade medicinal e científica. O texto também não prevê o autocultivo”, alerta o parlamentar. “Ainda há muito o que avançar, mas este é um passo fundamental na garantia de direitos aos pacientes”, realça.

O que a Anvisa decidiu (*):

  • Produção

A Resolução da Diretoria Colegiada (RDC/Anvisa) de produção autoriza o cultivo exclusivamente por pessoas jurídicas, mediante autorização especial, inspeção sanitária prévia e rígidos mecanismos de controle, rastreabilidade e segurança. A produção fica limitada a plantas com até 0,3% de THC, conforme entendimento do STJ. Todos os insumos devem ser registrados no Mapa, e os lotes, analisados em laboratório.

  • Pesquisa

A autorização voltada a instituições reconhecidas pelo MEC, ICTs públicas, indústrias farmacêuticas e órgãos de defesa do Estado. O modelo exige inspeção prévia, vigilância permanente e controle rigoroso de acesso. Os produtos não podem ser comercializados, apenas compartilhados entre instituições autorizadas. Materiais com THC acima de 0,3% só poderão ser obtidos por importação, com aval da Anvisa e da ONU.

  • Associações

A terceira resolução cria um instrumento específico para associações de pacientes sem fins lucrativos, sem autorização para venda. A proposta é testar, de forma controlada, a viabilidade sanitária da produção em pequena escala fora do modelo industrial. A Anvisa fará chamamento público com limite de projetos e pacientes atendidos. O modelo prevê monitoramento, controle de qualidade e rastreabilidade até a dispensação.

  • Construção baseada em dados

As normas foram elaboradas com base em amplo respaldo científico e institucional. Houve 29 consultas públicas, análise de experiências internacionais e recebimento de 47 estudos científicos, majoritariamente nacionais. O processo envolveu diversos ministérios e a Embrapa. Segundo o relator, o marco regulatório cobre toda a cadeia produtiva, do cultivo ao desenvolvimento de medicamentos.

  • Produtos de cannabis

Na mesma reunião, a Anvisa atualizou a RDC 327/2019, que regula produtos de cannabis para uso medicinal. Atualmente, 49 produtos estão regularizados e deverão avançar para estudos clínicos. A nova norma amplia o público beneficiado e autoriza novas vias de administração, além da oral e nasal. A divulgação segue restrita a profissionais prescritores, com aprovação prévia da Anvisa.

  • Manipulação

A manipulação de produtos à base de cannabis não foi incluída nas resoluções aprovadas. O tema será tratado em norma específica, que ainda será debatida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

*Com informações da Anvisa.

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    Paulo Bogler

    Paulo Bogler é repórter do H2FOZ. Com enfoque em pautas comunitárias, atua na cobertura de temas relacionados à cidade, política, cidadania, desenvolvimento e cultura local. Tem interesse em promover histórias, vozes e o cotidiano da população. E-mail: bogler@h2foz.com.br.

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