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Saúde

Atendimento em risco

Hospital Itamed anuncia suspensão de atendimento de partos e acende alerta na saúde de Foz

Instituição atribui decisão ao desequilíbrio financeiro; Foz já enfrenta déficit de aproximadamente 300 leitos

5 min de leitura
Hospital Itamed anuncia suspensão de atendimento de partos e acende alerta na saúde de Foz
Hospital Itamed atende pacientes particulares, por convênios e pelo SUS. Foto: William Brisida/Itaipu Binacional

Alegando desequilíbrio econômico-financeiro, o Hospital Itamed, que já foi referência na saúde de Foz do Iguaçu, notificou a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) de que vai interromper a prestação de serviços de maternidade e partos na cidade e em Santa Terezinha de Itaipu dentro de 60 dias.

Leia também: Conselho aponta falhas em filas, gestão e estrutura da saúde de Foz

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A notícia preocupa o setor de saúde de Foz do Iguaçu, que já vem sofrendo consequências em razão do déficit de pelo menos 300 leitos em quartos e unidades de terapia intensiva (UTIs). Há também falta de serviços de alta e média complexidade em certas especialidades, o que obriga pacientes a ser transferidos ou buscar atendimento em outros municípios.

No documento encaminhado ao Governo do Estado, o Hospital Itamed alega “disparidade insustentável na operação”. Enquanto o atendimento ao Sistema Único de Saúde (SUS) representa 78% do volume total da unidade, a contrapartida financeira equivale a 18% da receita bruta, argumenta o hospital. Outros 30% correspondem a convênios e particulares, conforme a própria unidade hospitalar publicou em postagem de rede social. 

Com um novo modelo de negócios, o hospital não tem recebido ajuda de custeio da saúde da Itaipu Binacional como ocorria anteriormente. Os investimentos da hidrelétrica agora são direcionados apenas para melhorias na estrutura.

Presidente do Conselho Municipal de Saúde (Comus), Khalid Omairi avalia que a interrupção do serviço da maternidade representará 500 atendimentos ao mês que deixarão de ser feitos. “Pode colapsar toda rede de saúde”, alerta.

Segundo ele, os demais hospitais de Foz do Iguaçu não podem absorver o serviço, porque o Itamed é a única unidade da cidade com maternidade estruturada e UTI Neonatal.

De acordo com Omairi, o Comus foi comunicado do fato em uma reunião realizada na quinta-feira, 2, com a direção do hospital. Na tentativa de resolver o problema, o conselho solicitou uma reunião com a 9.ª Regional de Saúde e com a Sesa.

A situação da saúde em Foz do Iguaçu é preocupante, acredita Omairi. No Hospital Municipal, as filas de macas nos corredores já se tornaram rotina.

Além da defasagem de leitos, o município precisa custear transferência de pacientes e acompanhantes para outros centros, a exemplo de Curitiba e Londrina, pois Foz do Iguaçu não dispõe de alguns serviços, um deles da neurocirurgia de alta complexidade.

A previsão para este ano é de que o município deva desembolsar cerca de R$ 75 milhões com os serviços de deslocamento de pacientes.

Impacto em média e alta complexidade

Em rede social própria, o Hospital Itamed justifica que o desequilíbrio financeiro se deve à defasagem histórica nos repasses do SUS, embora não tenha informado a partir de quando tal diferença teve início. O impacto, informa a unidade hospitalar, é mais visível nos atendimentos de média complexidade – exames diagnósticos avançados e cirurgias menores e de alta complexidade – UTIs, transplantes e cirurgias, cujos custos reais superam os valores pagos pelo sistema público.

Ainda de acordo com o informe, em 2025, os atendimentos vinculados ao SUS geraram um custo aproximado de R$ 161,5 milhões para a Fundação de Saúde Itaiguapy, que administra o hospital. No mesmo período, o faturamento do contrato com o Governo do Estado foi de R$ 52 milhões.

O hospital ainda recebeu, conforme o comunicado, R$ 58 milhões, via convênio com a Itaipu Binacional, para apoiar o custeio social do SUS. Mesmo diante do aporte, relata que houve um déficit de R$ 51,3 milhões, absorvido pela receita de convênios e atendimentos particulares.

Demissões atingem 300 funcionários

A crise no Hospital Itamed não se limita aos atendimentos pelo SUS. O corte de médicos e funcionários se tornou rotina.

Segundo o presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos e Serviços de Saúde em Foz do Iguaçu e Região (SEESSFIR), Paulo Sérgio Ferreira, no ano passado, aproximadamente 300 demissões aleatórias ocorreram no hospital, incluindo de enfermeiros e demais trabalhadores da saúde.

Os desligamentos estão sendo investigados pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), porque, embora tenham sido feitos aleatoriamente, dão impressão de serem coletivos, explica Ferreira.

De acordo com ele, a justificativa para as demissões é que o número de funcionários contratados aumentou durante a pandemia. Agora, a unidade não consegue mais absorver o custo da folha de pagamento.

Nota do Hospital Itamed

Em nota divulgada à imprensa, o Hospital Itamed reafirma que “vem atendendo mais pacientes do que o previsto em contrato, sem receber pelos custos extras. Ao longo desse período, o Itamed tentou negociar com o Governo do Estado a revisão desses valores, mas, até o momento, não houve acordo”.

Na nota, a unidade hospitalar detalha como funciona hoje o atendimento na maternidade:

“O hospital atende partos de risco habitual para Foz do Iguaçu e Santa Terezinha de Itaipu.

E é referência em gestação de alto risco para os 9 municípios da 9ª Regional de Saúde.

– O que mudará:

Os partos de risco habitual serão encerrados gradualmente em até 60 dias.

Os atendimentos de alto risco continuarão normalmente, sem qualquer alteração.

Outros serviços do hospital, como cardiologia, oncologia e especialidades, seguem funcionando normalmente.”

Segundo o hospital, a conduta foi tomada com responsabilidade, pensando na segurança das pacientes e na continuidade dos demais serviços prestados.

O Itamed reforça que continua aberto ao diálogo com o Governo do Estado, buscando uma solução que permita manter os atendimentos de forma sustentável e com qualidade.

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    Denise Paro

    Denise Paro é jornalista pela UEL e doutoranda em Ciências Políticas e Relações Internacionais. Atua há mais de duas décadas nas Três Fronteiras e tem experiência em reportagens especias. E-mail: deniseparo@h2foz.com.br

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