Marco na saúde, Foz do Iguaçu realizou procedimento inédito com aplicação de polilaminina em jogador de vôlei que ficou tetraplégico em um acidente. A intervenção ocorreu no sábado, 21, no Hospital Unimed, e o paciente recebeu alta no dia seguinte.
- Polilaminina: atleta tetraplégico passa por cirurgia inédita em Foz do Iguaçu
A cidade passa a integrar o seleto grupo de localidades brasileiras a aplicar o medicamento, que está em fase experimental, de pesquisa clínica. A polilaminina foi descoberta pela cientista dra. Tatiana Coelho de Sampaio e apresenta resultados promissores até o momento na recuperação de movimentos, embora os estudos prossigam.
Com efeito, Foz do Iguaçu recebeu o 26.º paciente no país para aplicação de polilaminina. Já é possível considerar um marco para a saúde na região trinacional, pois demonstra que a cidade alia estrutura e profissionais qualificados, em condição de desenvolver tratamentos à base de tecnologia inovadora.
A aplicação foi realizada em um jogador profissional de volêi, da equipe Suzano, de São Paulo, que perdeu os movimentos após acidente automobilístico. O procedimento durou 90 minutos, executado dentro do planejamento da junta médica, sem intercorrências. O próximo passo do tratamento será a reabilitação com fisioterapia.
A cirurgia foi conduzida pelos médicos dr. João Elias El Sarraf, do Hospital Unimed, dr. Bruno Cortes e dr. Artur Luiz. “É um procedimento experimental bastante promissor, em que os pacientes já apresentam melhoras, parciais e até completas”, explicou El Sarraf.

O profissional destaca a relevância do procedimento para a saúde em Foz do Iguaçu. “Mostra que o hospital tem estrutura e está capacitado para receber pacientes de alta complexidade que precisam de novas tecnologias, com suporte do início ao fim dos procedimentos. Sou de Foz e me sinto honrado em fazer parte desse trabalho”, completou o neurocirurgião.
Polilaminina: futuro
Os médicos explicaram que a cirurgia consiste na aplicação da proteína no espaço da medula. Entre os avanços decorrentes da pesquisa da dra. Tatiana Coelho de Sampaio está o fato de que lesões de tecido nervoso, que causam diferentes perdas de movimentos — deixando a pessoa tetraplégica, paraplégica ou plégica — sempre foram consideradas insuperáveis.
O tratamento reconstitui, religa, fazendo uma espécie de ponte entre os tecidos. É aplicado em dose única para promover as conexões perdidas com a lesão. O ideal é que a aplicação ocorra até 72 horas após o trauma, destinada a pessoas entre 18 e 72 anos que sofreram trauma medular completo.
A polilaminina tem origem na laminina, proteína natural do corpo humano responsável pelo desenvolvimento do sistema nervoso central (que deixa de ser abundante em adultos) e periférico na fase embrionária da vida. As pesquisas mostram que o uso do medicamento promove a regeneração dos tecidos, o que pode levar a melhoras dos movimentos em diferentes graus.


