Essa pergunta, aparentemente simples, pode mudar a maneira como nos relacionamos com a nossa própria rotina. No episódio desta semana do Quem foi que disse?, compartilho vivências pessoais e os ganhos que tive ao descobrir o valor de fazer essa pergunta diante das situações do cotidiano. Ela ajuda a trazer para perto o momento presente e, principalmente, a perceber se aquilo que estou fazendo agora realmente corresponde ao que eu havia escolhido ou ao que estava previsto no meu roteiro para aquele dia.
Assista ao episódio:
A reflexão passa por uma diferença importante: ações conscientes e ações que realizamos sem perceber plenamente os motivos que estão por trás delas. Muitas vezes, dizemos que estamos vivendo no “automático” quando, na prática, estamos repetindo comportamentos sem examiná-los. É aquela situação em que a pessoa decide que finalmente vai terminar um artigo, escrever uma página do livro ou concluir a leitura que começou. Mas, 20 minutos depois, está no shopping aproveitando uma liquidação, reorganizando a agenda para experimentar a maquiagem que uma influenciadora recomendou ou ocupando o tempo com alguma outra atividade que surgiu pelo caminho. Não se trata simplesmente de falta de disciplina. Pode existir ali um padrão de comportamento que se repete sem que a pessoa perceba imediatamente o que a está levando a agir daquela maneira.
É nesse ponto que entra a noção de inconsciente na psicologia. Em diferentes abordagens psicológicas, o conceito assume significados distintos, mas, de modo geral, refere-se a processos, conteúdos, desejos, conflitos, associações e padrões que podem influenciar pensamentos e comportamentos sem estarem plenamente acessíveis à consciência naquele momento. Ou seja: nem tudo aquilo que determina uma ação passa necessariamente por uma decisão consciente e deliberada.
Perceber isso não significa que estamos condenados a repetir os mesmos comportamentos. Ao contrário. Quando começo a perguntar “por que eu faço o que eu faço?”, crio a possibilidade de interromper a repetição, observar o que está acontecendo e recuperar uma margem maior de escolha. A pergunta funciona como uma espécie de pausa entre o impulso e a ação: o que eu estou fazendo agora? Por que escolhi isso? Isso corresponde ao que eu realmente queria fazer ou estou apenas repetindo um padrão?
É dessa investigação que parte o episódio desta semana do Quem foi que disse?: dos pequenos desvios da rotina às escolhas que fazemos sem perceber, para refletir sobre quanto da nossa vida é construído conscientemente e quanto pode estar sendo conduzido por padrões que ainda não identificamos.

