Profissionais de enfermagem: carreata em Foz pede piso salarial e melhoria nas condições de trabalho

Os heróis pedem apoio da população para aprovar projeto no Senado. Concentração será nesta quinta-feira, às 8h, na frente da prefeitura.

Considerados heróis durante a pandemia de covid-19, devido à missão de ajudar a salvar vidas, profissionais de enfermagem pedem apoio da população. A categoria fará carreata em Foz do Iguaçu nesta quinta-feira, 13, com concentração na frente da prefeitura, às 8h, pela aprovação do Projeto de Lei (PL) 2.564/2020, que prevê melhorias na carreira.

Em trâmite no Congresso Nacional, o PL institui piso salarial válido em todo o país para enfermeiro, técnico de enfermagem, auxiliar de enfermagem e parteira. As negociações em torno do projeto também envolvem a fixação de jornada laboral em 30 horas semanais e melhorias nas condições de trabalho.

Se o projeto for aprovado, a menor remuneração a ser paga aos profissionais passaria a ser:

Enfermeiro: R$ 7.315;

Técnico de enfermagem: R$ 5.120;

Auxiliar de enfermagem e parteira: R$ 3.657.

A carreata em Foz do Iguaçu vai percorrer as avenidas República Argentina e Paraná, passando pelo Hospital Municipal até a Avenida Silvio Américo Sasdelli, em direção à UPA João Samek. No retorno, passará pelo Hospital Costa Cavalcanti, seguindo para a Avenida JK, com encerramento na Praça da Paz.

Os organizadores da ação pedem que todos os participantes usem roupas brancas, podendo ser o jaleco usado em serviço. A programação prevê uma homenagem aos profissionais da saúde que faleceram em decorrência da covid-19

Conforme o auxiliar de enfermagem Claudir Viana Brito, que trabalha na UPA Walter Cavalcante Barbosa, a carreata é aberta para toda a comunidade. “Se em algum momento da sua vida você ou alguém que você ama foi cuidado ou teve um profissional da enfermagem em sua vida, e se sente grato por isso, nos apoie”, convida.

Preencha a lista de presença on-line informando a sua participação na carreata (opcional).

PL corrige distorções 

De acordo com o profissional de saúde, a ausência de um piso cria disparidades entre as regiões e gera salários que não condizem com a importância e o grau de dificuldades das profissões. “O projeto visa a corrigir muitas distorções dentro das funções de enfermagem”, enfatiza.

Ele explica que as remunerações pagas hoje na Região Sul vão de R$ 2,5 mil a R$ 3,5 mil para enfermeiros; auxiliares e técnicos de enfermagem recebem de R$ 1,7 mil a R$ 2,3 mil. “É muito abaixo de várias profissões. No caso de enfermeiro, é menor do que outras atividades com formação superior e tanta responsabilidade, já que a maioria dos serviços de saúde são gerenciados por esses profissionais”, avalia.

Outra melhoria defendida pelos trabalhadores da enfermagem é a redução da jornada de trabalho semanal, de 40 para 30 horas. Segundo Claudir, essa medida é necessária para amenizar a sobrecarga dos profissionais, resultando em melhor qualidade do atendimento à população em serviços de saúde.

“Suponhamos uma fábrica. A maioria dos acidentes de trabalho irão acontecer nas últimas horas da jornada, pela falta de um descanso apropriado”, exemplifica. “Agora pensamos em um serviço de saúde, onde um erro significa uma vida. As 30 horas beneficiarão usuários dos serviços de saúde, que serão atendidos com mais segurança e cuidado”, defende.

Consulta on-line

O Senado Federal, onde tramita o PL 2.564, abriu consulta pública on-line para qualquer pessoa interessada opinar sobre a matéria. Até o momento, são 917 mil votos a favor da sua aprovação, e 4,1 contrários. Para participar da enquete, clique aqui.

Paulo Bogler - H2FOZ

Paulo Bogler é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.

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