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Saúde em Foz: neurocirurgiões voltam a atender no Hospital Municipal

Serviço será retomado nesta sexta; quadro de anestesistas ainda está incompleto, comprometendo capacidade de realização de cirurgias

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Saúde em Foz: neurocirurgiões voltam a atender no Hospital Municipal
Unidade de saúde presta atendimento público - foto: Marcos Labanca/H2FOZ arquivo

O serviço de neurocirurgia do Hospital Municipal Padre Germano Lauck (HMPGL) será retomado amanhã, sexta-feira, 6. A decisão foi tomada após reunião realizada, no final da manhã desta quinta-feira, 5, entre médicos e a diretoria da unidade.

Leia também: MP apura falta de anestesistas e neurocirurgiões no Hospital Municipal de Foz do Iguaçu

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As neurocirurgias foram suspensas dia 20 de janeiro, após pedido de rescisão do contrato que partiu dos médicos. Eles reivindicavam uma melhor remuneração e condições mais adequadas de trabalho para atender os pacientes.

Nesse intervalo sem o serviço, os pacientes foram encaminhados a hospitais da região e para o Hospital Itamed, em Foz do Iguaçu.

Coordenador da Neurocirurgia do Hospital Municipal, Richam Faissal El Hossain Ellakkis diz que houve entendimento e boa vontade de ambas as partes, por isso é importante a comunidade tranquilizar-se.

Os médicos estão voltando ao trabalho com algumas mudanças que foram solicitadas e atendidas pelo hospital. “Estão longe de ser ideais e perfeitas, mas já foi um passo”, frisa Ellakkis.

Entre as reivindicações dos neurocirugiões, estavam melhoria na infraestrutura do hospital e de equipamentos. Isso porque a unidade não tem serviço de alta complexidade para neurocirurgias, ou seja, atendimento com tecnologia avançada e equipes especializadas.

Outro problema enfrentado pelos neurocirurgiões atinge os demais profissionais do hospital, que é a pequena oferta de leitos e unidades de terapia intensiva (UTIs). 

Para Ellakkis, a demanda no hospital cresceu pelo fato de absorver pacientes de toda a região, por isso seria necessária a mudança de patamar para uma unidade regional.

Ainda segundo o médico, a falta de leitos é preocupante na cidade. Para ele, hoje Foz do Iguaçu deveria ter pelo menos 500 leitos disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Conforme levantamento feito pelo portal H2Foz, o Hospital Municipal possui 218 leitos, dos quais 40 são destinados à UTI.

No Hospital Itamed, há 175 leitos, sendos 44 de UTI (dez da UTI Geral, dez da UTI Coronária, dez da UTI Pediátrica e 14 da UTI Neonatal). De acordo com o hospital, 60% dos atendimentos mensais são voltados ao SUS. No Hospital Unimed, há 41 leitos, dos quais dez de UTI. A unidade não tem leitos credenciados para o SUS.

Em certos períodos, principalmente no inverno com aumento de doenças respiratórias, é comum faltar leitos no Hospital Municipal.

Conversas tiveram início no ano passado

O impasse entre os neurocirugiões e o hospital se arrasta desde setembro do ano passado. Já naquela época, os médicos encaminharam um ofício à direção do hospital expondo os problemas enfrentados, que extrapolam a questão salarial.

Na ocasião, foi dado um prazo de 20 dias para que houvesse respostas, antes da suspensão do atendimento. Sem avanços, os neurologistas lançaram aviso prévio para encerrar o contrato em 30 dias, cujo prazo venceria em 20 de novembro.

Diante da situação, os médicos foram procurados por um vereador e acabaram aceitando trabalhar por mais 60 dias, ou seja, até 20 de janeiro. Antes disso, no dia 15 de janeiro, foi feita uma contraproposta, que não atendeu às exigências dos profissionais. Por isso, o contrato foi rescindido, obedecendo ao aviso prévio e a prazos legais.

Com anestesistas, problema é falta de profissionais

Além do problema enfrentado com os neurocirurgiões, o HMPGL também tem falta de médicos anestesistas.

Advogado da empresa Analgefoz, credenciada do hospital, Joel de Lima relata que o problema envolvendo os anestesistas não tem relação com a remuneração, mas com a redução do número de profissionais para prestar o serviço na cidade.

“A empresa está imbuída nas melhores intenções para resolver o problema. Não há antagonismos e divergências”, afirma.

De acordo com Lima, a empresa tinha 29 profissionais para atender em clínicas e hospitais de Foz do Iguaçu, porém o quadro reduziu para 23. Com isso, não foi mais possível cobrir as escalas.  

Também conforme o advogado, a Analgefoz busca anestesistas para contratar, e ele reforça que não houve descredenciamento. Alguns profissionais, frisa, estão sobrecarregados e extrapolam a carga horária de trabalho.

Hospital busca anestesistas

Por meio da assessoria de imprensa, o Hospital Municipal informa que atualmente há dois anestesistas por plantão, número que representa metade do quadro. Um deles foi contratado recentemente e outro é da empresa Asense que faz parte da Analgefoz.

Apesar disso, a expectativa é a de que sejam retomadas, já na próxima semana, cerca de 25 cirurgias diárias. A meta, segundo o hospital, é manter quatro profissionais trabalhando, como ocorria anteriormente.

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    Denise Paro

    Denise Paro é jornalista pela UEL e doutoranda em Integração Contemporânea na América Latina. Atua há mais de duas décadas nas Três Fronteiras e tem experiência em reportagens especias. E-mail: deniseparo@h2foz.com.br

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