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Agressor de muçulmanas é autuado por lesão corporal e racismo em Foz

Homem de 33 anos agrediu mulheres que usavam véu em um shopping da cidade; agressor já tem histórico de intolerância

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Agressor de muçulmanas é autuado por lesão corporal e racismo em Foz
Levado à delegacia, o homem foi autuado em flagrante - foto ilustrativa: Arquivo Polícia Civil

Duas mulheres muçulmanas foram agredidas e discriminadas, na tarde de quinta-feira, 12, em um shopping de Foz do Iguaçu, na região central da cidade. Segundo a Polícia Civil, o ataque partiu de um homem de 33 anos. 

De acordo com o delegado da Polícia Civil Geraldo Evangelista, o agressor tirou o véu (hijab) de uma das vítimas, uma libanesa e uma síria, e agrediu ambas com socos.

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Após ser contido por pessoas que estavam no local e seguranças, Guardas Municipais e policiais militares estiveram no local, e o homem foi encaminhado à 6.ª Subdivisão Policial. Ele foi autuado em flagrante pelos crimes de lesão corporal e racismo — prática discriminatória em detrimento de etnia, religião e procedência nacional.

Como não coube pagamento de fiança em razão das penas dos crimes, o agressor foi encaminhado à Cadeia Pública Laudemir Neves, onde passará por uma audiência de custódia.

Em depoimento prestado, o homem não disse o que motivou a agressão, segundo Evangelista. Contudo, o delegado informou que ele já tem histórico de invasões da mesquita em Foz, onde já perturbou uma cerimônia religiosa. “Desde 2018, esse homem possui esse comportamento discriminatório.”

Manifestos de repúdio

Diversas entidades e órgãos oficiais manifestaram repúdio à atitude do agressor. Por meio do Centro Cultural Beneficente Islâmico, a Mesquita Omar Ibn Al-Kattab ressaltou, em nota, que a liberdade religiosa é um direito fundamental — ter ou não ter crença, de escolher, praticar e expressar sua fé (ou sua ausência dela), sem interferência, discriminação ou coerção.

Em declaração nas redes sociais, o xeique Oussama El Zahed disse que o episódio é algo a que não se estava acostumado assistir e testemunhar em Foz. “É algo que não deve ser passado sem manifesto da comunidade.” De acordo com ele, é preciso uma posição firme e forte para que esse acontecimento não se repita na cidade, a qual sempre foi exemplo de convivência de harmonia e paz.

Em nota, a Ordem dos Advogados do Brasil — Subseção de Foz do Iguaçu classificou o fato como “grave violação de direitos humanos configurando violação à integridade física, à dignidade da pessoa humana e à liberdade religiosa. Além da dimensão religiosa, o episódio também expõe a persistência da violência contra as mulheres em nosso país”.

A Prefeitura de Foz do Iguaçu também se manifestou. Em nota, o Executivo “reafirma que não compactua com qualquer ato que atente contra a dignidade humana, a liberdade religiosa e os direitos fundamentais garantidos pela Constituição. Casos dessa natureza devem ser apurados com rigor pelas autoridades competentes, assegurando a aplicação da lei”.

Outra instituição que se manifestou foi a Câmara de Vereadores. Por meio de uma nota de solidariedade feita em nome da Procuradoria da Mulher da Casa de Leis, os vereadores pontuaram que “a violência contra a mulher, sobretudo quando motivada por intolerância religiosa, fere não apenas as vítimas diretamente atingidas, mas toda a sociedade, pois atenta contra os princípios fundamentais da dignidade humana, da liberdade de crença e do respeito à diversidade cultural e religiosa, constitucionalmente assegurados no âmbito do Estado Democrático de Direito”.

Conforme a procuradoria, o “hijab é um símbolo de fé, identidade e autonomia. Qualquer tentativa de constranger, ultrajar ou desrespeitar esse símbolo constitui grave violação de Direitos Humanos e não pode ser tolerada em uma cidade plural e diversa como Foz do Iguaçu”.

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    Denise Paro

    Denise Paro é jornalista pela UEL e doutoranda em Integração Contemporânea na América Latina. Atua há mais de duas décadas nas Três Fronteiras e tem experiência em reportagens especias. E-mail: deniseparo@h2foz.com.br

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