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Lei de proteção aos animais vale quase nada

Gatos são alvos fáceis de psicopatas, que, basicamente, se não conseguem matar humanos miram seu ódio nos animais.

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Lei de proteção aos animais vale quase nada
Pelo seu espírito libertário, gatos que saem de seus quintais viram alvo para psicopatas. Foto: Aida Franco de LIma

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Aida Franco de Lima – OPINIÃO

Recentemente, um caso repercutiu nas redes sociais e demonstrou como a agressão aos animais ainda não recebeu a atenção necessária das autoridades que combatem a violência social. Quem é violento com animais também é violento com pessoas. Simples assim. Precisamos de leis mais rígidas, para que crimes contra animais tenham mais peso nas costas dos psicopatas. Crueldades contra animais precisam de punição severa e rápida, da atenção de todas as instâncias dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, para evitar que escalem para violência contra pessoas.

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Já escrevi a respeito aqui. Estudos da polícia americana, o FBI, indicam que os matadores em série, quando crianças, cometeram violência contra animais ou a presenciaram. Como no caso de adultos que mataram animais de estimação na frente deles, quando menores, como forma de punição ou coação.

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Recentemente, um dos casos que repercutiram nas redes sociais foi em torno de um cavalo que teve as quatro patas cortadas após carregar  Andrey Guilherme Nogueira de Queiroz (21 anos), seu tutor, e parar de caminhar de tanto cansaço.  Por conta da repercussão do caso, em que algumas artistas, como Ana Castela e a ativista Luisa Mell, exigiram justiça, as autoridades se mexeram para investigar.

  • O caso aconteceu na cidade de Bananal, no interior de São Paulo, no dia 16 de agosto, durante uma cavalgada. Com a repercussão, a Polícia Civil ouviu Andrey. Ele alegou que estava alcoolizado, que não é uma pessoa ruim e está arrependido. Porém, no momento em que cometeu o crime, a testemunha que o acompanhava contou que ele falou que, se ela tivesse coração, seria bom não olhar o que ele iria fazer. O Ministério Público de São Paulo denunciou o caso à Justiça Estadual. Mas até o momento, Andrey continua livre, leve e solto. O cavalo agonizou até morrer.

Em Cianorte, no Noroeste do Paraná, a empresária Lígia Helena Cesiuk sofre com a impunidade e a falta de investigação em torno da frequente matança de gatos envenenados. Ao todo, dez de seus gatos foram mortos dessa maneira, e apenas um sobreviveu. O último caso foi registrado em Boletim de Ocorrência (B.O), no dia 10 de agosto, quando ao chegar a sua casa foi avisada por um vizinho de que um de seus gatos estava caído em sua calçada. Lígia acredita que o envenenador seja algum morador muito próximo de sua casa, pois a gata só foi salva porque ela conseguiu retornar para casa. Assim, Lígia conseguiu salvá-lo.

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Mas outra revolta, ainda maior, foi deparar-se com um idoso que, no dia 18 de junho, foi até sua loja, um pet shop, para comprar chumbinho. Pelas informações repassadas por ele mesmo, age assim em diferentes pontos da cidade e já matou outros animais, porque já conseguiu comprar o produto anteriormente. Ele chegou à loja perguntando abertamente se sabia quem vendia chumbinho para matar uns gatos.

A empresária tentou ganhar tempo, conversando com ele, enquanto ligava para algumas pessoas e até para a polícia na esperança de tentar prendê-lo em flagrante. Ela pediu o nome e endereço, porém ele estranhou quando ela falou que o valor seria de R$ 20. A polícia alegou que, como ele tinha apenas a intenção de matar, não poderia fazer nada. Que seria necessário fazer um boletim de ocorrência. Lígia foi orientada a não divulgar sua foto. Ela tentou registrar o BO na esperança de que se ocorrer alguma matança de animais no bairro em que mora ele seja investigado como principal suspeito. Apesar da tentativa, o B.O não foi registrado. Até agora, o caso não deu em nada.

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No distrito de Vidigal, em junho, outras dezenas de gatos foram envenenados, assim como cães, tanto no distrito como em Cianorte. Contudo, a fala das autoridades é sempre a mesma: é preciso ter provas. Mas, então, para que a palavra investigação? O modo como os casos de envenenamento, principalmente, são tratados é como se uma família tivesse uma vítima e coubesse a ela identificar o culpado, apresentar provas, para que o processo judicial iniciasse. Se a lei de maus-tratos a animais, 14.064/2020, não tem a eficácia necessária, que a ótica de tais crimes se enquadre na investigação de psicopatas, pois é com esse tipo de gente que estamos lidando.

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do H2FOZ.

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    Aida Franco de Lima

    Aida Franco de Lima é jornalista, professora e escritora. Dra. em Comunicação e Semiótica, especialista em Meio Ambiente.

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