Aida Franco de Lima – OPINIÃO
Estamos diante de cenas dramáticas em que a população é nocauteada pelos mais variados tipos de eventos climáticos extremos. Um sinal de que a intervenção humana em torno do ambiente natural está prestes a chegar ao ponto de não retorno.
Na primeira semana de 2026, um alerta chamou atenção de quem tem o mínimo de preocupação com a preservação da biodiversidade: 15 mil litros de um produto chamado fluido sintético vazaram em alto-mar, durante os primeiros estudos em busca de petróleo, promovidos pela Petrobras, no que se denomina foz do Rio Amazonas.
De acordo com a Petrobras, o incidente ocorreu a 2,7 mil metros de profundidade, em duas linhas (tubulações) auxiliares que interligam a sonda de perfuração ao poço Morpho, a 175 quilômetros da costa do Amapá. Conforme a empresa, não houve dano ambiental, pois o material é biodegradável e não impactaria o meio ambiente.
- Qualquer intervenção no meio ambiente gera impacto ambiental, de menor ou maior porte. Quando a própria empresa responsável pelo incidente é a única a assegurar que não houve dano, sem a participação de órgãos externos e independentes, a dúvida fica no ar.
Tão logo o problema foi identificado, as atividades de perfuração foram paralisadas. E isso é mais um motivo de preocupação para a comunidade do entorno, que se vê apreensiva com possíveis impactos que a extração de petróleo pode causar.
Uma busca no Google vai trazer dados antagônicos sobre o apoio ou não da população em relação à extração de petróleo em um dos grandes berços da biodiversidade brasileira. E logicamente que as pessoas que apoiam tal empreendimento tendem a acreditar que realmente a exploração de petróleo é segura e que se acontecer algum dano é o preço do progresso.
Entretanto, não há como cobrar discernimento de uma população que não tem o letramento ambiental suficiente a ponto de compreender que preservação ambiental é um ativo, é um bem precioso, mais ainda que qualquer quantidade de petróleo. Entidades ambientalistas alertam para o risco e a necessidade de mais estudos para dimensionar o impacto ecológico.
Quando um empreendimento gera a perspectiva de render muito dinheiro, o olhar muda. No caso dessa perfuração, a estimativa é de que seja possível explorar de seis bilhões a dez bilhões de barris de petróleo. Cada barril, na cotação atual, gira em torno de R$ 345. Uma verdadeira galinha dos ovos de ouro, que desperta o interesse nos mais variados aspectos, mas que, se não for bem cuidada, pode colocar em risco todo um ecossistema.
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