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Ramadã traz tradição e gastronomia árabe para Foz

Mês do jejum reúne famílias e movimenta restaurantes e mercados árabes da Tríplice Fronteira.

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Ramadã traz tradição e gastronomia árabe para Foz
Gastronomia árabe agrada diversos paladares. Foto: Marcos Labanca

Prática milenar, o jejum de Ramadã movimenta a comunidade islâmica da Tríplice Fronteira e os restaurantes. Os muçulmanos preservam a tradição e degustam pratos típicos desta época.

Neste período, os seguidores do islamismo ficam sem comer, beber água e ter relações sexuais entre a alvorada e o pôr do sol.

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Nono mês do calendário islâmico, o Ramadã este ano está sendo realizado no verão e teve início em 18 de fevereiro. Por isso, a quebra de jejum, chamada iftar, ocorre a partir das 19h.

Em Foz do Iguaçu, a prática do jejum é disseminada entre libaneses, palestinos, sírios e hindus. Apesar de o cardápio do Ramadã ser comum aos libaneses, há variações de pratos entre as comunidades.

Proprietário do restaurante Sabor do Oriente, o comerciante Mohamad Ibrahim Bacha, 50 anos, diz que os sírios costumam quebrar o jejum com suco de tamarino e tâmara. Na mesa síria também há quibe cru, charutos e abobrinha.

sorvete árabe
Sorvete árabe é novidade na fronteira. Foto: Marcos Labanca

O mercado Hayet, situado na Vila Portes, oferece diversos produtos para o Ramadã. O proprietário, Khalilm Smidi, conta que um dos produtos mais procurados neste período é a tâmara, muito em razão da qualidade da proteína que tem.

Segundo ele, a tradição é quebrar o jejum com tâmara — sempre em número ímpar — acompanhada de um copo de água. O comerciante relata que o Ramadã é o melhor mês do ano quando se trata de vendas. “A preparação do jantar e a mesa é bem farta”, realça.

Em Foz do Iguaçu, não faltam opções de restaurantes árabes. Afinal, a cidade concentra a segunda maior comunidade árabe-libanesa do país, depois da situada na capital paulista, com cerca de 20 mil imigrantes e descendentes.

Alguns estabelecimentos mudam o horário de funcionamento para atender a clientela e servem pratos típicos para o mês, a exemplo de sopas. Também oferecem bufês.

Quem ganha também são os moradores da cidade, que podem degustar o que há de melhor na culinária árabe. Mas quais são os pratos mais tradicionais no mês de Ramadã? Veja alguns:

Suco de tamarino e tâmara

A tradição de quebrar o jejum com suco de tamarino e uma tâmara é dos sírios. Feito ao modo árabe, o suco tem, além da fruta, uma essência árabe de água de rosas.

tamara
Tâmara é usada para quebrar o jejum. Foto: Marcos Labanca

Mhamra

Mhamra é uma deliciosa pasta síria que leva pimentão, caldo de romã, tahine e azeite de oliva.

Sopa de lentilha

Feita com lentilha marrom com manteiga. Acompanha torradas. Os libaneses também costumam usar lentilha vermelha.

Fatuche

Salada com pão frito e hortaliças. Leva melado de romã e sumak.  

Pão de Ramadã

Pão com erva-doce e tempero árabe. Feito especialmente para o mês de jejum.

Sojok

Prato famoso em Aleppo, na Síria, foi trazido por armênios que imigraram para o país. Pode ser feito no pão árabe ou no baguete.

Jallab

Bebida feita à base de tâmara. É misturada na água gelada para ser consumida.

Sorvete árabe

O sorvete apresenta dois ingredientes principais: sahleb — pó branco extraído de raízes secas de orquídeas selvagens da Turquia — e miski — resina vegetal da árvore da mesma família do pistache, da ilha grega de Chios.

Conhecido por “busa” ou “booza”, o sorvete, considerado o primeiro do mundo, tem uma textura elástica. Teria surgido por volta de 1500 d.C. na região da Síria. Coberto com pistache, o sabor é indescritível.

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    Denise Paro

    Denise Paro é jornalista pela UEL e doutoranda em Ciências Políticas e Relações Internacionais. Atua há mais de duas décadas nas Três Fronteiras e tem experiência em reportagens especias. E-mail: deniseparo@h2foz.com.br

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