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Resistência e ancestralidade

Afroturismo em Foz do Iguaçu

Quilombo Horta do Seu Zé e Dona Laíde recebe visitantes para valorizar a memória do povo negro e enfrentar o racismo ambiental.

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Afroturismo em Foz do Iguaçu
Alunos do Colégio 3 Bandeiras visitam quilombo - Foto acervo pessoal
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Ao passo que enfrenta o processo de reintegração de posse pela prefeitura, o Quilombo Horta do Seu Zé e Dona Laíde se fortalece a partir do reconhecimento comunitário de sua trajetória e por novas iniciativas de educação popular.

Escolas, universidades e turistas de Foz do Iguaçu puderam conhecer entre 2024 e 2025 a forma de viver quilombola de Maria Serrate, seu Zé, Dona Laíde e toda sua família da horta na bacia do córrego Brasília.

Os encantos da cozinha da Dona Laíde – Foto acervo pessoal


Com o roteiro de Afroturismo iniciado em 2024 com a obtenção do título de  comunidade quilombola pela Fundação Palmares, foi em 2025 em que as visitações se consolidaram. Em 2026 os planos e as expectativas são fortalecer ainda mais essa troca de experiências. 

Estudantes do Colégio Paulo Freire – Foto acervo pessoal


A chegada ao quilombo se inicia com uma roda de conversa na qual Maria Serrate conta a história de sua família Santos, de onde vieram e como chegaram ali há 36 anos na área de mata verde, córregos e nascentes da Vila C.

Casa de Memória – Foto acervo pessoal

O primeiro ponto é a Casa da Memória, que tem assegurado a preservação do patrimônio cultural material e a criação de um espaço apropriado para atividades educativas, visitas guiadas e salvaguarda da história e da ancestralidade do território.

Após a apresentação da memória e da cultura, os visitantes vão conhecer a horta, caminhar pelas plantações harmonicamente cultivadas em meio a mata e as nascentes. Em seguida, o caminho é por dentro dos bambuzais, na qual se extrai um delicioso recheio de tortas e salgados.

Visita de estudantes universitários – Foto acervo pessoal

O trajeto continua até o afluente do Córrego Brasília que traz o elemento da denúncia dos crimes ambientais de descarte ilegal de lixo e do descaso público com a falta de recursos para a proteção ambiental. …

Por fim, o grupo de visitantes faz um registro numa linda parede de flores e se direciona a casa para tomar um reforçado café com bolos, tortas, sucos, todos orgânicos e feitos com os frutos da terra. 

Conforme a iniciativa, o percurso totaliza cerca de 500 metros e para o melhor aproveitamento, precisa de tempo firme e sem chuvas para acontecer na íntegra. 

Maria Serrate, liderança do Quilombo Horta do Seu Zé e Dona Laíde, enfatiza a importância do afroturismo. “A nossa comunidade tem muito para contar, história dos nossos avós, lendas, conhecimento sobre as plantas e os animais”, enumera.

Visita do Colégio 3 Bandeiras, Parede de Flores – Foto Acervo pessoal

O que é Afroturismo?

Visita Ministério da Cultura em 2025 – Foto Acervo pessoal

Se trata de uma metodologia de economia política antirracista a partir do turismo de base comunitária que valoriza a história, a memória, a identidade e a cultura da afrodiáspora, proporcionando a reconexão com a negritude, a ancestralidade, a natureza e os territórios.

Essa prática, protagonizada por pessoas negras, destaca-se por seu caráter educativo a preservação memória antirracista, ao valorizar os patrimônios materiais e imateriais, sabores, saberes e contribuições da população afrodescendente, gerando impacto econômico circular e positivo nas comunidades envolvidas, historicamente marginalizadas.

Turistas do Rio de Janeiro, em 2025 – Foto acervo pessoal

Instruções para o passeio:

Em 2026, as visitas para os turistas terão início a partir de abril. As reservas poderão ser feitas diretamente com Maria Serrate, pelo whatsapp ou pelo instagram. Para os visitantes, sugere-se:

– leve repelente, protetor solar e garrafa d’água;

– use calçados confortáveis e fechados, bem como calça e camiseta de mangas compridas
– atenção para os dias de chuva, na qual não é possível realizar a visita completa;

Experiência no Quilombo Horta do Seu Zé e Dona Laíde

Local: Quilombo Horta do Seu Zé e Dona Laíde (R. H, Vila C, 100 – Conj. C, Foz do Iguaçu – PR)
Horários: qua   qui   sex
Valor regular: R$ 30 por pessoa
Meia entrada R$ 15 estudantes e PCD
Reservas: +55 (45) 99917-3848
@quilombo.seuzedonalaide

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    Markson Rangel

    Markson Rangel é técnico administrativo da UNILA e mestre em economia em Economia Aplicada. Faz parte do Núcleo Antirracista Aqualtune dos Palmares e é colunista do H2FOZ.

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