Maior remanescente da Mata Atlântica do Sul do Brasil, o Parque Nacional do Iguaçu completa 87 anos de existência neste sábado, 10, com o desafio de equilibrar turismo e meio ambiente.
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A reserva verde de 185 mil hectares, que se estende por 14 município no Oeste do Paraná, convive com o drama da caça e vê o número de visitantes aumentar a cada ano, ultrapassando a marca inédita de dois milhões.
Em 2025, o parque, com sede em Foz do Iguaçu, recebeu 2.058.000 visitantes, o maior número da história com crescimento de 8,7% em relação ao ano anterior.
Esse aumento se refletiu em imensas filas para entrar na reserva e acessar os espaços do parque no fim do ano passado.
Chefe do Parque Nacional do Iguaçu, José Ulisses dos Santos reconhece que a unidade tem problemas sérios, a exemplo das filas que se formam nos feriados e na alta temporada. Para tentar distribuir melhor os turistas dentro do parque, foram reabertas algumas trilhas e circuitos.
Outro problema relevante é a caça, que causa desequilíbrio ecológico na reserva. A estimativa do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) é de que cerca de dez mil animais sejam vítimas de caçadores todos os anos.
Ao ano ainda são encontrados aproximadamente 160 armadilhas e acampamentos na extensão do parque, e muitas pessoas ainda caçam por lazer. O combate a essa prática é feito com apoio da Polícia Federal, Polícia Militar e fiscais do ICMBio.
Apesar dos problemas, o parque, ressalta Santos, é importante para o clima, economia e turismo. Atualmente, mais de 25 instituições nacionais e estrangeiras realizam pesquisas na reserva.

Perspectiva é de receber quatro milhões de visitantes
A gestão de turismo do Parque Nacional do Iguaçu é de responsabilidade do consórcio Urbia+Cataratas desde dezembro de 2022. O grupo venceu uma licitação para prestar o serviço, cujo contrato firmado é de 30 anos.
A Urbia se comprometeu a realizar várias melhorias na unidade e anunciou um investimento de R$ 600 milhões até 2030, quando a perspectiva é de receber quatro milhões de visitantes, o dobro da marca atual.
Durante comemoração do aniversário da reserva, realizada na sexta-feira, 9, o CEO do grupo, Mario Macedo, apresentou um panorama dos investimentos feitos no parque e falou do que está por vir.
Para este ano, está programada a inauguração de centro de visitantes no município de Céu Azul, a 95 quilômetros de Foz do Iguaçu, que terá seis quilômetros de trilha e acesso gratuito à população.
Também está nos planos da Urbia a inauguração de alguns módulos do Espaço Porto Canoas, que passa por revitalização, e a abertura de atrativos envolvendo arvorismo, tirolesa e torre de observação.
Para 2027, a previsão será finalizar o Espaço Porto Canoas, que terá um novo conceito arquitetônico com deque e áreas voltadas para eventos.
Já em 2029 é aguardada a entrega da nova passarela que leva os turistas à Garganta do Diabo, o principal salto das Cataratas do Iguaçu. Em linha reta, a trilha não terá escadas e será ampliada dos atuais 1.200 para 1.500 metros, com novos mirantes.
Outro compromisso do consórcio é renovar a frota de ônibus com menos emissão de CO2.
Entre os atrativos já entregues, Macedo mencionou a Ciclovia das Cataratas, o Circuito São João, o Espaço Usina e trilhas reabertas e revitalizadas, a exemplo da Trilha das Bananeiras e do Poço Preto. Também foram criados os passeios Amanhecer e Pôr do Sol nas Cataratas, bem como implantados dois restaurantes.


