Passageiro terá de esperar. Câmara marca audiência do transporte coletivo para agosto

Menos ônibus nas linhas acarreta em transtornos aos passageiros - Foto: Marcos Labanca/Arquivo

Sem solução à vista, usuários de ônibus seguem enfrentando a precariedade do serviço.

A prefeitura mantém três comissões simultâneas tratando do transporte coletivo em Foz do Iguaçu. A Justiça analisa dissídio entre empresários e rodoviários. Conselho de políticas públicas da área e comissão do Legislativo também abordam o tema. Há soluções para o grave problema envolvendo a oferta desse serviço? Nenhuma à vista.

A audiência pública da Câmara de Vereadores, espaço institucional em que o passageiro pode participar diretamente e dar a sua opinião sobre o serviço de ônibus no município, vai acontecer somente em agosto. Até lá, o usuário que pretenda criticar, demandar ou sugerir medidas nesse fórum, que resulta em deliberações formais, terá de esperar.

A espera também ocorre nos pontos de ônibus e no terminal. Com parte da frota retirada de circulação, o usuário perde mais tempo em seus deslocamentos diários. Permanecendo por períodos mais longos em locais de aglomeração e submetidos a lotações, os passageiros ficam mais expostos ao risco de contágio pelo novo coronavírus.

A precariedade não é de agora, mas foi agravada com a pandemia. Em dezembro do ano passado, a gestão municipal decretou intervenção nas operações do Consórcio Sorriso. A medida estava prevista para até 180 dias, porém foi revogada no segundo mês, em janeiro de 2021. Os problemas foram avolumando-se. Em abril, eclodiu a greve dos trabalhadores rodoviários.

Há um clamor generalizado pelo rompimento do contrato entre a prefeitura e as empresas do setor, firmado em 2010, na gestão do então prefeito Paulo Mac Donald Ghisi e do vice-prefeito Chico Brasileiro. Hoje, o município apega-se à quebra de contrato pelo Consórcio Sorriso. O representante de uma das empresas desafia a prefeitura a auditar o contrato, de forma independente.

E o passageiro? Permanece à espera da lotação, de soluções e da audiência pública. Dia 11 de agosto será o debate na Câmara de Vereadores. A previsão é reunir técnicos, universidades, sindicatos, autoridades e povo, prometendo apontar ações “imediatas e o planejamento em médio e longo prazos” no setor de mobilidade.

“O assunto é urgente e, por isso, fui o primeiro parlamentar a oficialmente tratar do tema”, declarou o vereador Adnan El Sayed (PSD), autor da proposta, membro bancada de apoio ao prefeito Chico Brasileiro (PSD). Seu requerimento foi o segundo a ser apresentado pela atual legislatura, aprovado em sessão do Legislativo em 2 de fevereiro.

Entretanto, a data da audiência sobre o transporte coletivo somente foi anunciada passados quatro meses da sua aprovação pelo conjunto de vereadores, e o debate ocorrerá seis meses depois da aprovação do requerimento. Esse trâmite sugere que o significado de urgência é diferente na percepção de passageiros de ônibus e representantes públicos iguaçuenses.

Audiência pública sobre o transporte coletivo
Data: 11 de agosto, às 18h30h
Local: Plenário da Câmara de Vereadores (Travessa Oscar Muxfeldt, 81, centro)
Participação da comunidade: https://bit.ly/3bPSUH6 e redes sociais oficiais do Lestislativo
Uso da palavra: inscrição prévia até as 14h do dia 10 de agosto, pelo link https://bit.ly/2n3kflq ou pelo e-mail: [email protected]

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Paulo Bogler - H2FOZ

Paulo Bogler é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.

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