Crise hídrica não acabou. Mapa de nível dos rios do PR está todo vermelho

Rio Paraná em Guaíra não voltou à cota normal. Foto: Prefeitura de Guaíra

A cor vermelha sinaliza os pontos de medição do nívels dos rios paranaenses que estão abaixo da cota normal, hoje a maioria.

Há quem acredite que, como tem chovido com certa regularidade no Paraná, ficou afastada a possibilidade de falta de água no abastecimento público e que o nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas paranaenses já voltou ao normal.

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Ledo engano. A situação dos 51 rios paranaenses, conforme a medição feita nas estações telemétricas existentes no Estado, ainda continua crítica.

As chuvas que caem desde outubro, embora tenham sido importantes, ainda não conseguiram reduzir os efeitos de um longo período de estiagem – dois anos com chuvas abaixo da média normal.

COMPARE:

O mapa hidrológico abaixo, do dia 7 de outubro, encheu-se de triângulos verdes, depois de uma semana de chuvas contínuas.

Veja agora como está a situação, no mapa feito pelo Instituto Água e Terra, conforme medições feitas pela Copel e outras instituições.

Pra entender: o triângulo vermelho sinaliza que, naquele trecho, o rio está com o nível abaixo da cota normal. O triângulo verde é onde o nível está superior à cota média.

ABASTECIMENTO

E é por isso que está mantida a tabela de rodízio no abastecimento de água em Curitiba e Região Metropolitana, que no período entre 27 de novembro a 8 de dezembro terá como modelo 60 horas de abastecimento e até 36 horas com suspensão no fornecimento de água.

Nesta sexta-feira, 26, o nível dos reservatórios do Sistema de Abastecimento Integrado de Curitiba e Região Metropolitana (SAIC) está em 68,78%. Quando a Sanepar divulgou a nova tabela, na terça-feira, 23, o nível estava em 69,05%.

Para poder eliminar o rodízio, a empresa calcula que seria necessário que o nível dos reservatóriso – Piraquara I, Piraquara II, Iraí e Passaúna – estivesse na média de 80%.

ENERGIA ELÉTRICA

É claro que a situação nas hidrelétricas da bacia do Paraná 3 melhorou. Mas isso não significa que a produção esteja normal e que a preocupação terminou.

Como exemplo, a usina de Salto Caxias está com 47,77% de capacidade no reservatório na manhã desta sexta-feira, 26. A usina procura segurar a produção, pra que o nível não baixe, o que acontece toda vez que a água utilizada na geração de geração de energia supera a vazão afluente (a água que chega ao reservatório).

A situação de Foz do Areia é melhor, com volume útil de 65,42% de água no reservatório, às 10h desta sexta-feira. Mesmo assim, turbina (produz) com cautela, com paralisações durante a madrugada, entre meia-noite e 6h.

Em Salto Santiago, às 8h, o volume útil era de 43,9%. Às 4h da madrugada a usina havia interrompido a produção, já que a vazão afluente oscilava muito. Essa usina depende de águas acima, isto é, do que vem principalmente da usina de Foz do Areia. Quando essa usina para a produção, o efeito é imediato em Salto Santiago.

Apesar das oscilações, as usinas da bacia do Rio Iguaçu não deixam de produzir. E, com isso, a vazão das Cataratas não é tão prejudicada. Às 10h desta sexta-feira, a vazão estava em 933 metros cúbicos por segundo, abaixo da média normal (1.500 m³/s), mas suficiente para garantir o espetáculo das águas.

PARANAZÃO

No Rio Paraná, a situação não é diferente. Em Guaíra, o rio estava na cota 110 metros acima do nível do mar, na quinta-feira, quando a cota média é de 137 metros.

Nesta sexta, a cota na Ponte da Amizade, que esteve mais alta duas semanas atrás, voltou para 95 metros acima do nível do mar, ou 10 metros abaixo do nível que o Rio Paraná apresenta em períodos fora de estiagem.

Entre esta sexta e domingo, o nível deve oscilar entre o mínimo de 94,83 metros e o máximo de 97,60 metros.

ALERTA NA ARGENTINA

O Instituto Nacional de Água da Argentina voltou a divulgar um aviso sobre a difícil situação hidrológica do Rio Paraná e, também, sobre a tendência de queda do Rio Uruguai, rios fundamentais para o escoamento da produção argentina e paraguaia.

“O Rio Paraná, em território argentino, continua em baixa estraordinária”, diz um informe do instituto.

COMPENSAÇÃO

A energia da Argentina ajuda o Brasil a enfrentar a crise hidrológica mais severa em 91 anos. Foto Agência Télam

Se sofre com os problemas provocados pela baixa do rios, que prejudicam a navegação, a Argentina lucra com a situação hidrológica brasileira, já que vende energia ao Brasil.

De janeiro a novembro deste ano, a Argentina já exportou mais energia elétrica ao Brasil do que em todo o ano passado, segundo o Mercado Elétrico Atacadista (MEM).

O país arrecadou com a venda, neste período, US$ 592,26 milhões. E a expectativa, até o final do ano, é chegar a US$ 1 bilhão.

Em qualquer situação, boa ou ruim, alguém sempre perde e alguém lucra.

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Claudio Dalla Benetta - H2FOZ

Cláudio Dalla Benetta é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.